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TAMBOR DE MINA

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Culto Tambor de Mina, de origem africana semelhante ao Candomblé

No Brasil-Império (1822-1889), a Província do Maranhão foi a segunda a receber o maior número de trabalhadores escravos, só ficando abaixo da Província da Bahia. Neste intercâmbio forçado e sofrido, os escravos trouxeram sua cultura e tradição. No Maranhão, uma de suas marcas foi o Tambor de Mina.
Culto de origem africana semelhante ao Candomblé, o Tambor de Mina no Maranhão, surgiu dos escravos vindos da Costa da Mina, região onde hoje existem as repúblicas de Benin, Togo e Nigéria. Assim como as demais crenças afro-brasileiras, consiste pela comunicação com entidades espirituais, oferendas e ritos de adivinhações.
Devido às antigas perseguições, seus rituais se misturam por vezes com os da Igreja Católica. A festa do Divino Espírito Santo, por exemplo, é celebrada em terreiros de Minas.
A Casa das Minas, que é o terreiro de religião africana mais antigo de São Luís (MA) que foi fundado no século XIX. Segundo Pierre Verger, há fortes indícios de que a Casa tenha sido fundada por uma princesa africana, do reino de Daomé, e que tinha ligação com voduns (advindo do Candomblé Jejê, e também de onde deriva a palavra vodu, pois sua influencia também ocorre no Haiti, onde é praticado).
Devido a sua tradição ser exclusivamente oral, ela se faz muito lentamente nesta religião, pois os dirigentes temem passar os segredos e serem castigados pelas entidades. Alguns pensam que Tambor de Mina está acabando, mas muitos jovens tem sido atraídos e vem se tornando adeptos, renovando o culto.
A Casa das Minas é o único terreiro Mina-jeje do Maranhão e exerceu grande influência sobre as casas de Mina de outras ‘nações’. Mas, esta Casa não dá origem a outras, pois só familiares podem participar do culto. Respeitando a tradição matriarcal vinda da África, a Casa sempre foi chefiada por mulheres, que são denominadas de vodunsis (são as devotas que recebem as entidades, os voduns, em transe). Desde sua fundação, a Casa foi comandada por seis vodunsis e após a escolha, estas vodunsis devem exercer a função de comando do culto até a morte.
Embora tombada pelo IPHAN, a Casa das Minas infelizmente encontra-se em processo de decadência, sendo mais um local negligenciado e que representa uma parte da história de nosso país. Mas há casas de tambor de Mina de influência nagô, e estas vem sendo bem sucedidas nos dias de hoje. Nas casas de Mina de hoje, além dos encantados, também caboclos se manifestam nesta linha e até pais velhos também vem trabalhar, sem do chamadas casa de Mina e Mata.

No Maranhão, o termo caboclo designa entidades distintas dos voduns africanos e dos gentis, mas, difíceis de serem definidas e caracterizadas. De modo geral os caboclos são: 1) encantados que tiveram vida terrena mas não podem ser confundidos com espíritos de mortos (eguns), do astral, e alguns deles pertencem a categorias não humanas como os botos e surrupiras; 2) são associados às águas salgadas, como os turcos; à mata, como a família de LéguaBoji; à água doce, como Corre-Beirada (oriundo da Cura/ Pajelança); 3) pertencem à encantaria brasileira mas podem ser originários de outros países (França, Turquia); 4) têm ligação com grupos indígenas mas podem ser nobres que preferiram ficar fora dos castelos; 5) são recebidos freqüentemente, mas nem sempre na qualidade de “donos da cabeça”; 6) são homenageados, geralmente, no final ou no último dia do toque mas podem ser recebidos em rituais onde há voduns.
Religião de muitos mistérios, num país rico de origens, lendas, tendências e credos, mas o certo é que personificam antigas palavras, que o vento sempre leva ecoando em todos os lugares: “muitos são os caminhos para a casa do Pai”.
Nosso respeito, nossa certeza que a pureza do coração fortalece o axé por toda a ambiência, vamos caminhando na Fe, na Caridade e no Amor.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ
contato@rbrj.com.br

Literatura consultada:
http://ohistoriante.com.br/tambor-de-mina.htm
http://acasadoespiritismo.com.br/curiosidades/o%20que%20e%20um%20tabor%20de%20mina.htm
http://www.gpmina.ufma.br/pastas/doc/Mina%20e%20Umbanda.pdf

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Um comentário

  1. TAMBOR DE MINA | POVO DE ARUANDA (MUDAMOS P/: www.povodearuanda.com.br)

    2 de dezembro de 2016 en 09:38

    […] No Brasil-Império (1822-1889), a Província do Maranhão foi a segunda a receber o maior número de trabalhadores escravos, só ficando abaixo da Província da Bahia. Neste intercâmbio forçado e sofrido, os escravos trouxeram sua cultura e tradição. No Maranhão, uma de suas marcas foi o Tambor de Mina…Continue Lendo […]

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