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O DIA DA UMBANDA

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dia nacional da umbanda

Dia 15 de Novembro, dia da Umbanda





Pelo Decreto de Lei nº 12.644, de 16 de Maio de 2012, assinado pela presidente Dilma Rousseff, oficializou-se o dia 15 de Novembro como o “Dia da Umbanda” no país.
Mas muitos e muitos anos antes, o Conselho Nacional Deliberativo da Umbanda (C.O.N.D.U), criado em 12 de setembro de 1971, o primeiro órgão umbandista de caráter nacional, já tinha determinado este dia comemorativo para nossa religião. O C.O.N.D.U. conseguiu agregar em sua reunião de 1976, 25 federações de Umbanda de todo o país, totalizando mais de 40.000 terreiros e tendas representadas no evento, que teve entre as suas pautas, a escolha do dia nacional da Umbanda.
A data de 15 de Novembro foi proposta pelas entidades federativas do Rio de Janeiro, na I Convenção Anual deste Conselho, da qual participaram as já citadas 25 federações, representando a maioria absoluta dos Estados; e que não opuseram qualquer objeção à escolha.
Entre as datas sugeridas – 13 de Maio, consagrada aos Pretos Velhos – e 22 de Novembro – dia de Araribóia – venceu por unanimidade 15 de Novembro. Nessa data, em 1908, manifestou-se pela primeira vez, numa sessão da Federação Espírita, em Niterói, através do médium Zélio de Moraes, uma entidade que declarou trazer a missão de estabelecer um culto, no qual os espíritos de índios e de escravos poderiam desenvolver seu trabalho espiritual, organizado no plano astral do Brasil. Esta história é nossa conhecida, e o espírito era o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, que depois declarou ter sido também o em vida pregressa, o padre jesuíta Gabriel Malagrida, morto pela inquisição da Idade Média.
Como padre Malagrida, teve estreito contato com os índios da região norte do Brasil, ao mesmo tempo divulgando o catolicismo, mas também tentando melhorar as condições de vida dos índios. Depois foi várias vezes transferido, até volta para Portugal, e lá por intrigas da Corte, acabou sendo acusado como herege e sentenciado à morte pela Inquisição.




No dia 15 de novembro de 1908, após fatos estranhos terem acontecido consigo, por sugestão de um amigo de seu pai, Zélio foi levado a Federação Espírita de Niterói. Chegando na Federação e convidados por José de Souza, dirigente daquela Instituição, sentaram-se à mesa. Logo em seguida, contrariando as normas do culto realizado, Zélio levantou-se e disse que ali faltava uma flor. Foi até o jardim apanhou uma rosa branca e colocou-a no centro da mesa onde realizava-se o trabalho. Tendo-se iniciado uma estranha confusão no local, ele incorporou um espírito e simultaneamente diversos médiuns presentes apresentaram incorporações de caboclos e pretos velhos. Advertidos pelo dirigente do trabalho, a entidade incorporada no rapaz perguntou:
” Por que repelem a presença dos citados espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens? Seria por causa de suas origens sociais e da cor?”
Após um vidente ver a luz que o espírito irradiava perguntou:
” Por que o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome meu irmão?”
Ele responde:
Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho, para dar início a um culto em que estes pretos e índios poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim.”
Conta a história, que na primeira vez em que os videntes o vislumbraram, no início de sua missão, o Caboclo das Sete Encruzilhadas se apresentou como um homem de meia idade, a pele bronzeada, vestindo uma túnica branca, atravessada por uma faixa onde brilhava, em letras de luz, a palavra “CARITAS”.Só depois assumiu a roupagem fluídica de indígena.
Quando o Caboclo das Sete Encruzilhadas, manifestou-se através de Zélio, então com apenas 17 anos, um dia depois de ter baixado em Terra na Federação Espírita de Niterói, determinou as normas do novo culto, que teria o nome de UMBANDA, declarando fundado o primeiro templo de Umbanda, cuja prática seria exclusivamente a caridade espiritual, através de passes, desobsessões e curas de enfermos. No dia 16 de novembro de 1908, na rua Floriano Peixoto, 30 • Neves • São Gonçalo • RJ, aproximando-se das 20:00 horas, estavam presentes os membros da Federação Espírita , parentes, amigos e vizinhos e do lado de fora uma multidão de desconhecidos. Pontualmente às 20:00 horas o Caboclo das Sete Encruzilhadas desceu e usando as seguintes palavras iniciou o culto:
“Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como mestre supremo Cristo”.
O primeiro templo fundado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas chamou-se Tenda Nossa Senhora da Piedade, com uma filial num sítio em Boca do Mato, Cachoeiras de Macacu (Cabana de Pai Antônio). Após a fundação da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, recebendo ordens do astral, iniciou a fundação de sete tendas para a propagação do núcleo da Umbanda:

Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, fundada por Gabriela
Dionysio Soares e posteriormente dirigida por Antonio Eliezer Leal de
Souza em 1918;
Tenda Espírita São Pedro, dirigida por José Meirelles;
Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia de Oxossi, dirigida por Dorval Vaz;
Tenda Espírita Santa Bárbara, dirigida por João Salgado;
Tenda Espírita Oxalá, dirigida por Paulo Lavóis;
Tenda Espírita São Jorge, dirigida por João Severino Ramos, médium de Ogum Timbiri em 1935.
Tenda Espírita São Jerônimo, dirigida por Capitão José Álvares Pessoa,
em 1935.

A Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade (TENSP) teve sua sede inicial na Rua Floriano Peixoto, 30 na casa de Zélio de Moraes em Neves, município de São Gonçalo, depois de alguns anos ficou instalada no centro do Rio de Janeiro (Rua D. Gerardo, 51), e até onde se sabe, hoje está em funcionamento apenas uma vez por mês, na sede própria da Cabana de Pai Antônio, no município de Cachoeiras de Macacú – RJ, na localidade de Boca do Mato, sob a presidência de Lygia Cunha neta carnal de Zélio Fernandino de Moraes.

As normas das tendas iniciais determinavam: médiuns uniformizados de branco, cânticos sem acompanhamento de atabaques nem palmas ritmadas; preceitos baseados apenas em água, amaci de ervas, flores e pemba, atendimento totalmente gratuito, não sendo admitido estabelecer nem aceitar retribuição financeira de espécie alguma. Os templos, organizados administrativamente, mantinham-se pelas contribuições dos associados.
E assim, passada esta centena de anos, há milhares de templos por todo Brasil advindos dessas primeiras sete casas fundadas pelo Sr. Zélio, e que conservam a maior parte de sua pureza doutrinária e ritualística. Formou-se assim a religião de Umbanda – denominada, de início, Lei de Umbanda, ou Linha Branca de Umbanda e Demanda, cujos mentores são os Caboclos e os Pretos-Velhos.

Em reportagem do jornal “Gira de Umbanda”, de 1976, muito sensatamente justifica-se, a escolha da data de 15 de Novembro, por não se prender apenas a uma das falanges principais da Umbanda e sim a ambas: Caboclos e Pretos Velhos.
O mesmo jornal citou que a referência feita à Proclamação da República deve-se ao fato de ter sido ela determinante da igualdade religiosa estabelecida pela primeira vez na Constituição da República, em 1889, o Estado deixou de ter uma religião oficial, permitindo assim que todos os credos, inclusive a nossa doutrina, se difundissem livremente.
Acrescentamos, para finalizar, que do fundo de nossos corações, desejamos que nosso país continue em maioria absoluta, aceitando a imensa diversidade de raças, pensamentos e religiões, que tenhamos a nossa liberdade assegurada, conquistada a ferro, sangue e fogo, e que as centúrias abençoadas do nosso Pai Maior continuem laureando nossa Pátria, para que ela seja o Celeiro do Mundo, e Berço da Paz.



Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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Fontes de pesquisa:
Blog Registros de Umbanda
Site Genuina Umbanda
Site Pai Maneco
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Um comentário

  1. O DIA DA UMBANDA | POVO DE ARUANDA (MUDAMOS P/: www.povodearuanda.com.br)

    2 de dezembro de 2016 en 09:31

    […] Pelo Decreto de Lei nº 12.644, de 16 de Maio de 2012, assinado pela presidente Dilma Rousseff, oficializou-se o dia 15 de Novembro como o “Dia da Umbanda” no país. Mas muitos e muitos anos antes, o Conselho Nacional Deliberativo da Umbanda (C.O.N.D.U), criado em 12 de setembro de 1971, o primeiro órgão umbandista de caráter nacional, já tinha determinado este dia comemorativo para nossa religião. O C.O.N.D.U. conseguiu agregar em sua reunião de 1976, 25 federações de Umbanda de todo o país, totalizando mais de 40.000 terreiros e tendas representadas no evento, que teve entre as suas pautas, a escolha do dia nacional da Umbanda. Continue Lendo […]

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