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ISLAMISMO

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Os Seguidores de Alá

Download do Alcorão:
http://www.edeus.org/download/alcorao.zip

Provavelmente você já ouviu falar dos islâmicos, muçulmanos e os xiitas. Pois bem, eles seguem a religião que é uma das que mais cresce hoje no mundo. Em nome do Deus Alá, centenas de milhões de pessoas abraçam o islã, termo que significa ao pé da letra submissão.

O livro sagrado dos muçulmanos é o Alcorão e a primeira tarefa de quem segue o islamismo é rezar cinco vezes ao dia, em árabe. Tal idioma é obrigatório porque as escrituras sagradas teriam sido reveladas nele por Alá ao profeta Maomé, por meio do anjo Gabriel.

Qualquer pessoa pode se tornar um muçulmano. Basta que entre de fé e coração no Islamismo, aceite Alá como o criador de todas as coisas e faça um testemunho de fé. Quem diz isso é Armando Hussein Saleh, intérprete do xeque egípcio Rabi Ahmad Al-Abadi, sábio da Mesquita Brasil. (Os xeques são considerados os sábios da religião, algo como os sacerdotes cristãos ou os monges budistas).

Hussein Saleh diz ainda que é importante procurar os sábios e praticar o que diz o Alcorão, individualmente ou em grupo, sem esquecer das orações da alvorada, do meio-dia, da tarde, do crepúsculo e da noite.

Islamismo significa abandono a Deus, fundado por Maomé na Arábia Saudita, com mais de 939 milhões de adeptos. Na sua religião encontra-se um livro sagrado, o Alcorão, sendo ditado literalmente por Deus. Para a religião Islâmica, DEUS é o todo poderoso, absoluto. Para o homem tudo está previsto ou marcado, Deus ordena tudo e não há mais liberdade. Se eu sou rico ou pobre é porque Deus quer. Deus é o soberano Juiz, manda os bons para o Céu onde há o jardim das delícias. Tudo de bom está ali, e manda os maus para o inferno onde existe o vento que queima, escuridão e fumaça e há também um juízo final onde virá a restauração do Islã, todos serão islamita. Em Anjos e Demônios o Islamismo crê que são seres puramente espirituais. A idéia de Guerra Santa para o Islamismo surgiu quando Maomé encontrava-se em Medina, lugar para onde tinha fugido. Era preciso defender-se dos habitantes de Meca e, portanto, organizar um exército, mas para isso era preciso muito dinheiro. Foi aí que surgiu o arcanjo Gabriel e lhe disse para assaltar as caravanas. Sendo bem sucedido nos assaltos, viu nisso a aprovação divina. Daí a promessa: quem morre nessa guerra santa vai direto para o céu. Hoje ela é concebida como uma guerra espiritual. Na religião Islâmica, o homem tem direito a ter quatro mulheres, a mulher não tem recurso legal contra o marido, ele a pode punir de infidelidade, provada por quatro testemunhas, com a morte pela fome. Mulher era considerada como escrava, devia ficar sempre em casa e quando saía tinha que cobrir o rosto com véu. Nas comidas e bebidas, não comem sangue de animais, nem carne de porco, nem bebem bebidas alcoólicas, somente refrigerantes. O lugar sagrado de oração denomina-se de Mesquita, onde não há imagens, nem cadeiras para se sentar (somente tapetes), nem instrumentos musicais como órgão. Ao entrar na Mesquita, o fiel descalça o sapato e reza acocorado sobre os calcanhares, chegando a encostar a cabeça no tapete. Muezin: É aquele que do alto convida em voz alta, os fiéis à oração. Não há clero hierarquizado, nem papa, nem concílio. Há apenas o diretor das preces públicas.

As cincos principais obrigações religiosas:

A profissão de fé; Alá é Deus e Maomé é o seu profeta.

Recitar 5 vezes por dia uma oração, voltado para Meca. Para isso lava as mão, os braços até os cotovelos, os pés até os tornozelos.

Esmolas aos pobres. Alguns Muçulmanos haviam instituídos uma determinada taxa para os pobres, é uma taxa de salvação.

Jejuar no mês de Ramadã, desde o surgir e o desaparecer do sol. Mês que cai nos fins de Setembro e início de Outubro.

Peregrinação a Meca: tem obrigação de uma vez na vida fazer essa peregrinação, são sete quilômetros, partem para Muzdalifa passando uns três dias ali e depois voltam para a Meca , onde cumprem quatro cerimônias: dar sete voltas , no início e no fim da visita , em redor a Casa Santa; beijar a pedra negra; beber a água Zenzem; ir e voltar correndo entre as duas colinas as-Safa e al-Marva.

Introdução ao Islam

O Islam e Os Muçulmanos

O nome desta religião é Islam, cuja raiz do termo é Salam, ou seja, PAZ. Salam também significa o cumprimento pacífico entre as pessoas. Significa submissão, isto é, submissão à vontade de Deus. A palavra muslim (muçulmano) tem a mesma raiz árabe e significa aquele que se submete à vontade de Deus, ou seja, aquele que acredita no Islam. Assim, muçulmano é aquele que se submete a Deus e vive em paz com o Criador, consigo mesmo, com as outras pessoas e com o seu meio ambiente. O Islam é um sistema completo de vida e o muçulmano vive em paz e harmonia com todos estes segmentos. Portanto, um muçulmano é qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, cuja obediência, fidelidade e lealdade são para Deus, o Senhor do Universo.

Os seguidores do Islam são chamados de muslims. Os muslims não devem ser confundidos com os árabes. Turcos, persas, paquistaneses, europeus, americanos, canadenses, brasileiros, ou qualquer outra nacionalidade, podem ser muslims.

Um árabe tanto pode ser muslim como cristão, judeu ou ateu. Qualquer pessoa que adota a língua árabe é chamada de árabe.

A língua do Alcorão (o livro sagrado do Islam) é o árabe, razão pela qual muslims de todo o mundo tentam aprender esta língua, a fim de poderem ler o Alcorão e compreenderem melhor o seu significado. Os muslims rezam a Deus na língua do Alcorão, isto é, em árabe, o que não quer dizer que as súplicas a Deus não possam ser em qualquer outra língua.

Atualmente, os muslims somam mais de 1 bilhão e 200 milhões no mundo todo, enquanto que a população árabe está em torno de 200 milhões. Entre estes, 10% não são muslims, o que significa dizer que, do total de muçulmanos, hoje em dia, os árabes muslims representam apenas 15% do total.

Allah, O Deus Único

A palavra árabe que designa o Deus Uno e Único é Allah, e não admite gênero masculino ou feminino, e muito menos plural.

Ele é o Senhor e Soberano do universo, criador de todas as coisas, e nada existe que não seja por Sua vontade. Diz o Alcorão: “Ele é Deus, o Único! Deus! O absoluto! Jamais gerou ou foi gerado! E ninguém é comparável a Ele!”

Ele é o Criador de todos os seres humanos. Ele é o Deus dos cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, e outros.

O Islam acredita na Unicidade Absoluta de Deus e prescreve uma forma de culto e de oração que não admite imagens ou símbolos. No Islam, as relações entre o homem e o seu Criador são diretas e pessoais e dispensam qualquer intermediário.

O Alcorão cita 99 atributos de Deus, tais como, o Clemente, o Misericordioso, o Perdoador, o Criador, o Senhor do Universo, o Primeiro, o Último e outros.

Mohammad

Mohammad foi escolhido por Deus para levar Sua mensagem de paz, isto é, o Islam, à humanidade. Ele nasceu em 570 DC, em Macca, na Arábia. A mensagem do Islam foi-lhe confiada quando ele tinha a idade de 40 anos. A revelação recebida tomou o nome de Alcorão e a mensagem é chamada de Islam.

Mohammad começou a anunciar a sua missão, sempre insistindo na crença de um Deus único, na Ressurreição e no Juízo Final. Ele foi perseguido e maltratado. Sofreu, ele e seus seguidores, terrível boicote em sua própria terra natal, por mais de três anos. Ninguém podia falar, manter relações comerciais ou matrimoniais com eles e as maiores vítimas foram crianças, velhos, doentes e fracos.

Diante da tentativa de assassinato pelos pagãos de Macca, ele deixou secretamente a cidade e foi para Madina, onde uma comunidade islâmica incipiente já estava instalada, e lá permaneceu por 13 anos. Isto aconteceu no ano de 622, ano no qual começa o calendário da Hégira.

Mohammad é o último Profeta de Deus para a humanidade. Sua mensagem foi dirigida a todos os seres humanos, independentemente de serem cristãos, ou judeus, ou ateus. Ele purificou as mensagens anteriores de toda adulteração e completou a Mensagem de Deus para toda a humanidade. Foi-lhe concedido o poder de explicar, interpretar e viver os ensinamentos do Alcorão.

Ele legou à posteridade uma religião de puro monoteísmo. Criou um estado disciplinado, estabeleceu um equilíbrio entre os assuntos espirituais e temporais, deixou um novo sistema de leis, a sharia. Acima de tudo, o Profeta Mohammad deixou um exemplo nobre pela prática integral de tudo o que ensinava aos outros.

As Fontes do Islam

As fontes legais do Islam são o Alcorão e os Hadis. O Alcorão é a palavra fidedigna de Deus; sua autenticidade, originalidade e totalidade estão intactas. Os Hadis são os relatos dos ditos, atos e sanções do Profeta Mohammad. Os ditos e atos do Profeta são chamados de Sunnah. A Sirah é o relato dos companheiros do Profeta sobre a sua vida. Portanto, é a biografia do Profeta e fornece exemplos da vida diária para os muslims.

4.1 – O Alcorão significa, literalmente, leitura ou recitação. O Profeta Mohammad ditava os versículos aos seus discípulos e ele afirmava que eles eram a revelação divina. Ele não ditou tudo de uma só vez, mas sim na medida em que as revelações eram feitas. Tão logo as recebia, ele as comunicava aos companheiros e pedia que eles decorassem, escrevessem e produzissem cópias. O Profeta era analfabeto, não sabia ler ou escrever. O original do Alcorão foi escrito em árabe e o mesmo texto continua em uso até os dias de hoje, sem qualquer alteração.

O Alcorão é notável porque é um texto no idioma original, cuja preservação contínua se faz há gerações, através do controle da memorização. Seu texto não sofreu, no decorrer de séculos, qualquer adulteração ou alteração em seu conteúdo. Ele é destinado a toda a humanidade, independentemente de raça, condição social, região ou época. É um código de comportamento porque abrange todos os segmentos da vida, espiritual, temporal, individual e coletivo.

4.2 – Os Hadis, na verdade, representam a aplicação prática dos preceitos, detalhes e explicações necessárias do Alcorão, e sua importância para os muçulmanos é muito grande. Os hadis são a prática do Profeta. Era através de seu dia-a-dia que o Profeta aproveitava para ensinar, e por em prática, os ensinamentos em todos os assuntos importantes da vida. Pelos hadis sabemos como fazer as abluções para as orações, por exemplo. Havia casos em que o Profeta, não tendo recebido uma revelação, formulava uma opinião baseada no bom senso.

Alguns Princípios Islâmicos

Unicidade de Deus: Ele é Uno e Único. Não são dois ou três, por isso o Islam rejeita a idéia da trindade ou de qualquer unidade que implique na existência de mais de um Deus em um.

Unicidade da humanidade: as pessoas são criadas iguais perante a Lei de Deus. Não há superioridade de uma raça sobre a outra.. Ninguém pode afirmar que é melhor do que o outro. Somente Deus conhece quem é o melhor, segundo os Seus critérios.

Unicidade dos Mensageiros e da Mensagem: os muçulmanos acreditam que Deus enviou diferentes mensageiros através da história da humanidade. Todos vieram com a mesma mensagem e os mesmos ensinamentos, que foram sendo adulterados através dos tempos.

Os muçulmanos acreditam em Noé, Abraão, Isaac, Ismael, Jacó, Moisés, David, Jesus e Mohammad.

Os anjos e o Dia do Julgamento: os muçulmanos acreditam que existem criaturas invisíveis, como os anjos, criadas por Deus para missões especiais. Os muçulmanos também acreditam que haverá o Dia do Julgamento, quando toda a humanidade, desde Adão até o final dos tempos, será julgada e recompensada ou punida de acordo com os seus méritos.

A inocência do homem na hora do nascimento: os muçulmanos acreditam que o ser humano nasce livre de pecado. Somente quando alcança a idade da puberdade, e somente quando comete pecados, é que ele será cobrado por seus erros. Ninguém é responsável pelos pecados de outros. Contudo, a porta do perdão através do arrependimento sincero está sempre aberta.

Estado e Religião: os muçulmanos acreditam que o Islam é um modo de vida completo. Portanto, seus ensinamentos não separam a religião da política, e tanto o estado como a religião estão sob a tutela de Deus, através dos ensinamentos do Islam. Por consequência, as transações comercial, econômicas e sociais, assim como os sistemas político e educacional também são parte dos ensinamentos do Islam.

A História do Alcorão*

Neste Livro, a vida do Profeta Mohammad, a história dos árabes e dos acontecimentos ocorridos durante o período da revelação do Alcorão, não se misturam com os versículos divinos, como no caso da Bíblia. O Alcorão é a verdadeira palavra de Deus. Não há nele uma só palavra que não seja de origem divina e nenhuma palavra foi retirada de seu texto. O Livro foi transmitido para as gerações seguintes em sua forma completa e original, como apresentado na época do Profeta Mohammad.

Desde a época em que ele começou a ser revelado, o Profeta ditava seu texto aos escribas. Sempre que a mensagem divina era revelada, o Profeta chamava um companheiro e ditava as palavras. O texto escrito era, então, lido ao Profeta que, se certificando de que não havia sido cometido qualquer erro no registro, colocava o manuscrito a salvo. Era o Profeta quem instruía o escriba sobre a sequência na qual uma mensagem revelada deveria ser colocada num determinado capítulo. Desta forma, ele continuou organizando o texto, numa ordem sistemática, até o final da cadeia de revelações. Outrossim, foi ordenado, desde o início do Islam, que a recitação do Santo Alcorão deveria ser uma parte integrante da adoração. Assim, os companheiros do Profeta se preocupavam em memorizar os versículos divinos tão logo eram revelados. Muitos deles aprenderam todo texto desta forma e um grande número memorizou suas diferentes partes.

Métodos de Preservação do Alcorão

Durante a Existência do Profeta

Além disso, alguns companheiros, que eram alfabetizados, costumavam manter um registro escrito de muitas partes do Alcorão. Portanto, o texto integral foi preservado de 4 maneiras diferentes, durante a vida do Profeta:

a) o Profeta tinha todo o texto das mensagens divinas, desde o início até o fim, escrito pelos escribas.

b) muitos dos companheiros sabiam todo o texto do Alcorão, cada letra, cada sílaba, cada palavra, de cor.

c) todos os ilustres companheiros, sem exceção, memorizaram, pelo menos, partes do Alcorão, pelo simples fato de que era obrigatório para eles a sua recitação durante a adoração. Uma estimativa do número desses companheiros pode ser feita do fato de que 140 mil participaram da Última Peregrinação feita pelo Profeta.

d) um número considerável de companheiros alfabetizados mantinha um registro particular do texto do Alcorão e se certificavam da pureza de seus registros, lendo-os para o Profeta.

Métodos de Preservação do Alcorão

Depois da Morte do Profeta

É uma verdade histórica indiscutível que o texto do Alcorão existente hoje é, sílaba por sílaba, exatamente o mesmo que o Profeta ofereceu ao mundo como sendo a Palavra de Deus. Após a sua morte, Abu Bakr, primeiro Califa, reuniu todos os Huffaz e os registros escritos do Santo Alcorão, dando-lhes a forma final de um livro.

Na época de Uthman, cópias da versão original foram feitas e enviadas oficialmente para todas as capitais do mundo islâmico.

Duas dessas cópias ainda existem hoje, uma em Estambul e outra no Tashkend. Quem quer que queira pode comparar qualquer texto impresso do Alcorão com aquelas duas cópias e não encontrará alterações. E como alguém poderia esperar encontrar alguma discrepância se, por gerações desde a época do profeta, existiram, e existem, milhões de Huffaz. Se alguém alterasse uma sílaba do texto original do Alcorão, esses Huffaz imediatamente apontariam o erro. No século passado, um instituto da Universidade de Munique, na Alemanha, coletou 42 000 cópias do Alcorão, inclusive manuscritos e textos impressos, produzidos em cada período da história do Islam, nas várias partes do mundo islâmico. Um trabalho de pesquisa foi efetuado nesses textos, durante meio século, ao final do qual, os pesquisadores concluíram que, fora alguns erros de cópia, não havia qualquer discrepância no texto destas 42 000 cópias, muito embora elas pertencessem a diferentes épocas entre os séculos 1 e 14 da Hégira, e tivessem sido obtidas em diversas as partes do mundo. Este instituto foi destruído durante os bombardeios sobre a Alemanha, na 2a. Guerra Mundial, mas os resultados dessa pesquisa sobreviveram. Um outro ponto que devemos ter em mente é que a língua na qual o Alcorão foi revelado é uma língua viva, ainda hoje. Ela é falada por milhões de pessoas, do Iraque ao Marrocos, e também no mundo não árabe, onde milhares de pessoas a estudam e a ensinam.

A gramática da língua árabe, seu léxico, seu sistema fonético e sua fraseologia, permaneceram intactos por 1 400 anos.

Uma pessoa de língua árabe nos dias de hoje pode compreender o Alcorão com muito mais competência do que os árabes de 14 séculos atrás. Esta é uma qualidade importante de Mohammad, que não foi partilhada por nenhum outro profeta ou líder religioso. O Livro que Deus revelou a ele, para orientação da humanidade, está hoje em sua língua original sem a menor alteração em seu vocabulário.

* Tirado do discurso “Mensagem da Sirah do Profeta”, de Syed Abul’Aala Maududi. Ele compara a história e autenticidade das três escrituras, a Tora, o Evangelho e o Alcorão.

O Alcorão, Literatura ou Revelação ?

Baseado nos trabalhos de Haidar Abu Talib

A evolução intelectual, por vezes, atravessa pontes que, nem sempre, são seguras ou confiáveis, devido às dificuldades de percepção, compreensão e raciocínio que todos nós, humanos, possuímos, guardadas as proporções de mais ou de menos.

A lucidez e o estudo são elementos de grande importância que, quando adicionados ao líquido da boa intenção, formam a argamassa necessária à edificação do sólido conhecimento humano que, por vezes, resta prejudicado, em consequência de, por exemplo, alguns estudarem a matéria cálculo estrutural em livros de culinária. A intelectualidade humana não deve estar dissociada da utilidade e do seu utilizador final, que devidamente direcionado para o fim a que se propõe, labora e progride, rumo ao conhecimento sadio e eficaz.

Assim sendo, o verdadeiro conhecimento é indispensável e muito se distancia daquilo que possa ser identificado como “cultura inútil”. A transitoriedade dos fatos, isto é, o aspecto cronológico, ou temporal, dimensionando os acontecimentos, ora nesse período, ora naquele século, somente nos fazem confirmar a validade e a qualidade que identificam, e em que estão constituídos, efetivamente, os aprendizados que trafegam entre a teoria estudada e a prática realizada.

A análise da problemática humana hoje, próxima do século XXI e do 3º milênio, demonstra, a quem quiser ver e enxergar, que o comportamento humano, ainda hoje, não se diferencia muito daquele havido na Idade da Pedra. As questões sociais de todo o complexo identificado como Sociedade Humana, formada por indivíduos, componentes de numerosas diversidades, apesar das teorias publicadas e pesquisadas, e ainda em fase de pesquisa, que são formuladas ao público das mais variadas maneiras, para todos os gostos, são a expressão do que conceitualmente poderíamos chamar de “Segunda Época” (aquele período em que o aluno, ao invés de entrar n gozo das férias, fica obrigado a rever e aprender tudo aquilo que não aprendeu em todo o ano letivo).

As desigualdades, dia após dia, surgem como o cupim que corrói a Humanidade. Fatores como a fome, a violência, as doenças de diversos tipos e a adoção de medidas que tratam os sintomas, deixando de tratar a moléstia que os origina, por vezes nos fazem pensar que alguns acreditam que, se todos morrerem, não adoecerão mais. Quem de nós, ainda vivos, nos dias atuais, não vivenciou essa ou aquela problemátaica, esse ou aquele resultado do desconhecimento e da ignorância? Quem de nós, humanos, não viu esse ou aquele segmento identificado com “X”, “Y” ou “Z”, falar em nome dessa ou daquela teoria de ensino, desconhecendo efetivamente a disciplina sobre a qual acredita lecionar? Evidentemente, a validade do aprepndizado se depreende da sua aplicação ao longo da existência transcorrida na etapa da vida humana.

Com a clareza desses pressupostos, podemos compreender que DEUS, o ALTÍSSIMO, o CLEMENTE, o MISERICORDIOSO, CRIADOR DE TODOS OS SERES E DE TODAS AS COISAS, permitiu e determinou a todos nós, criaturas, a SENDA RETA, isto é, o caminho que não leva aos abismos da ignorância. Para tanto, enviou a todos aqueles que têm boa vontade ou não, como ajuda e aviso, os ensinamentos do que é verdadeiro, do que é certo e do que é justo.

Essa metodologia de vida, portada por muitos Profetas e vários Mensageiros de Deus, constitui o que se chama ISLAM, que não é uma salada de frutas de várias ideologias. Esse Sistema Completo de Vida, o ISLAM, que foi revelado à humanidade através de profetas, como aqueles da chamada Cadeia Semítica, sejam nominados como ADÃO, JONAS, JÓ, NOÉ, ABRAHÃO e seus filhos ISMAEL e ISAAC, DAVID, MOISÉS, JOÃO BATISTA, JESUS e MAOMÉ, ou de tantos outros quantos a humanidade não se preocupou em seus nomes preservar, como de outros oriundos de etnias, raças ou povos distantes, em épocas diferentes. O Alcorão Sagrado não é obra das criaturas, mas sim do CRIADOR, como tantas outras Mensagens Reveladas aos seres humanos, tal como o Torá, na forma original e intocável com a qual DEUS, o ALTÍSSIMO, determinou à humanidade, através de MOISÉS, o caminho da Retidão, como também foi apresentada nos Salmos revelados a DAVID, a expressão da Misericórdia do CRIADOR, também na forma original com que o Evangelho foi revelado a Jesus, filho de Maria. A Mensagem trazida à humanidade pelo Profeta e Mensageiro de Deus, Muhammad (Maomé) foi transmitida pelo Arcanjo Gabriel, aprendida através da tradição oral, e tal qual foi ouvida, recitada e confirmada, se encontra preservada, sem qualquer tipo de alteração ou reinterpretação e seus originais se encontram preservados e custodiados como confirmação de tudo isto.

Diz DEUS, o Altíssimo nos versículos 2 a 5, da surata A Vaca: “2. Eis o livro que é indubitavelmente a orientação dos tementes a Deus; 3. que crêem no incognoscível, observam a oração e gastam daquilo com que os agraciamos; 4. que crêm no que te foi revelado (revelado a Maomé), no que foi revelado antes de ti e estão persuadidos da outra vida. 5. Estes possuem a orientação do seu Senhor, e estes serão os bem aventurados.”

Ainda na surata A Vaca, nos versículos 37 e 38, lemos: “37. É impossível que este Alcorão tenha sido elaborado por alguém que não seja Deus. Outrossim, é a confirmação das revelações anteriores a ele e a elucidação do Livro indubitável do Senhor do Universo. 38. Dizem (os que duvidam do milagre do Alcorão): Ele o forjou! Dize: Componde pois, uma surata semelhante às dele; e podeis recorrer, para isso, a quem quiserdes, em vez de DEUS, se estiverdes certos.”

Consequentemente, a expressão que alguns utilizam como sendo Literatura, em especial Literatura árabe, não se aplica ao milagre havido pela manifestação da Mensagem de DEUS revelada à humanidade, através do Mensageiro Maomé, no idioma árabe. O Alcorão, última Mensagem Revelada do ISLAM não foi, não é, não será, uma manifestação étnica ou de um agrupamento social. Na Surata Az Zúmar, versículos 27, 28 e 41, temos: “27. E expomos aos homens, neste Alcorão, toda a espécie de exemplos para que meditem. 29. É um Alcorão árabe, irrepreensível, quiçá, assim temam a Deus. 41. Em verdade, temos-te revelado o Livro para (instruíres) os humanos. Assim, pois, quem se encaminhar será em benefício próprio; por outra, quem se desviar, será em seu próprio prejuízo.” (1)

Por outro lado, literatura é o resultado da consolidação de escritos, devidamente encadernados ou, ainda, de acordo com dicionários de língua portuguesa, dentre eles, o Novo Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro, LELLO UNIVERSAL, de João Grave & Coelho Neto, publicado na cidade do Porto, Portugal, por LELLO;O, que nos ensina o seguinte: LITTERATURA, ou LITERATURA, substantivo, feminino, do latim litteratura. Conhecimento das obras e das regras literárias, com especialidade as de eloquência e poesia. Carreira das letras, profissão do homem de letras, do escritor. Conjunto das produções literárias de um país, de uma época.”

Além dessa temática, dentrte muitas outras não estudadas, ou ditas sem compromisso com a razão, temos algumas afirmações, como por exemplo aquela que diz, dentre outros enganos, existir no Islam preceitos tais como “guerra santa”. O Fundamento do Islam está alicerçado nos seguintes Pilares:

a) crença na unicidade de DEUS, sabendo-se que não há outro deus ou divindade além Dele;

b) crença na existência dos anjos;

c) crença em que Deus enviou Profetas e Mensageiros para ensinar à Humanidade o Caminho da Senda Reta;

d) crença nos Livros Revelados, desde que em suas formas originais.

Quanto aos Pilares da Prática do Islam, estes são representados pela obrigatoriedade da prática das orações, que são 5, diariamente; no cumprimento do jejum, de acordo com os parâmetros revelados durante o período do mês de Ramadan (9º mês do calendário lunar); no pagamento do zakat, que é uma importância tirada das quantias, dos estoques ou dos bens acumulados e sem utilização durante cada período anual, para distribuição aos necessitados; a obrigatoriedade da Peregrinação à Caaba, situada na cidade de Meca, na medida da possibilidade de cada pessoa.

A própria utilização da expressão “guerra santa”, tem, quase sempre, origem nas fantasias vindas verdadeiramente da literatura humana, até e porque, para o muçulmano (palavra oriunda do vocábulo árabe “muslim”, que significa submisso), DEUS é o Único Santo e a Ele somos submissos.

A necessidade e a obrigatoriedade, em havendo circunstâncias que autorizem qualquer tipo de luta, se dá, única e exclusivamente, pela defesa da dignidade humana e, nunca, como forma de opressão ou conquista com fins de dominação.

Por último, gostaríamos de lembrar que muitas pessoas encontraram nos textos de Alcorão Sagrado fatos e detalhes, inclusive relativos às descobertas atuais da ciência humana, que ali já estavam relatadas há 1.400 anos atrás. Como exemplo, referenciamos a obra do eminente cientista francês, Prof. Dr. Maurice Bucaille, intitulada La Bible, Le Coran el la Science, editada em Paris, em 1987.

Encerramos nossa palavra, conclamando a todos à obediência aos princípios estabelecidos por DEUS, o Altíssimo, lembrando suas palavras no 13º versículo da Surata dos Aposentos, no Al Acorão Sagrado, que são: “Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado dentre vós, ante Deus, é o mais temente. Sabei que Deus é Sapientíssimo e está bem inteirado.

(1) – Textos reproduzidos da obra O SIGNIFICADO DOS VERSÍCULOS DO ALCORÃO SAGRADO, do Prof. Samir El Hayek, Marshal Editora – SP, 1984)

Mohammad na Bíblia

Baseado nos trabalhos do Dr. Jamal Badawi

“Aqueles que seguem o Apóstolo, o Profeta iletrado, a quem>
eles acham mencionado em sua Tora e no Evangelho…” (Alcorão 7:157)

As Profecias Bíblicas sobre o Advento de Mohammad

Abraão é amplamente respeitado como o Patriarca do monoteismo e o pai comum de judeus, cristãos e muçulmanos. Através de seu segundo filho, Isaac, vieram todos os profetas, inclusive os mais proeminentes, como Jacó, José, Moisés, Davi, Salomão e Jesus. Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre todos eles. O advento desses grandes profetas foi um cumprimento parcial das promessas de Deus, de abençoar as nações da terra através dos descendentes de Abrão (Gênesis 12:2.3). Este fato é sinceramente aceito pelos muçulmanos, cuja fé considera a crença e o respeito a todos os profetas um artigo de fé.

As Bençãos de Ismael e Isaac

Estaria o primogênito de Abraão (Ismael) e seus descendentes incluídos no pacto e na promessa de Deus? Alguns versículos da Bíblia podem ajudar a esclarecer um pouco esta questão:

1) Gênesis 12:2-3 fala da promessa de Deus a Abraâo e seus descendentes antes que qualquer filho seu nascesse.

2) Gênesis 17:4 reitera a promessa de Deus após o nascimento de Ismael e antes do nascimento de Isaac.

3) Gênesis, cap. 21 Isaac é especialmente abençoado, mas Ismael, a quem Deus prometeu transformar em uma “grande nação”, também é especialmente abençoado, principalmente em Gênesis 21:13, 18.

4) De acordo com Deuteronômio 2l:15-17, os direitos e privilégios tradicionais do primogênito não podem ser alterados por causa do “status” de sua mãe (seja uma mulher livre, como Sara, a mãe de Isaac, ou uma escrava, como Hagar, a mãe de Ismael). Este fato, apenas confirma os princípios humanit´rios e morais de todas as fés reveladas.

5) A legitimidade completa de Ismael como filho e “semente” de Abraão, e a legitimidade completa de sua mãe, Hagar, como esposa de Abraão, estão claramente declaradas em Gênesis 21:13 e 16:3.

Depois de Jesus, como o último profeta e mensageiro israelita, chegou a hora de a promessa de Deus, de abençoar Ismael e seus descendentes, ser cumprida. Menos de 600 anos anos depois de Jesus, chegou o último mensageiro de Deus, Mohammad, da descendência de Abraão, através de Ismael. As bênçãos de Deus sobre os dois principais ramos da árvore genealógica de Abraão estavam agora cumpridas. Mas, haverá outras provas que corroborem o fato de que a Bíblia, na verdade, predisse a chegada de Mohammad?

Mohammad: O Profeta como Moisés

Muito tempo depois de Abraão, a promessa de Deus de enviar um tão esperado Mensageiro foi repetida, desta vez nas palavras de Moisés.

Em Deuteronômio 18:18, Moisés assim falou sobre o profeta a ser enviado por Deus:

Dentre os famialiares dos israelitas, numa clara referência aos seus primos ismaelitas porque Ismael era o outro filho de Abraão, a quem foi prometido, explicitamente, se tornar uma “grande nação”.
Um profeta como Moisés. Jamais houve dois profetas tão semelhantes entre si como

Moisés e Mohammad. Ambos receberam um extenso código legal de vida, ambos enfrentaram seus inimigos e foram vencedores de forma miraculosa, ambos eram aceitos como profetas/autoridades e ambos migraram em razão de conspirações para assassiná-los. As analogias emtre Moisés e Jesus deixam passar, não somente essas semelhanças mas, também, outras importantes (por exemplo, o nascimento natural, vida familiar e morte de Moisés e Mohammad, mas não de Jesus, que era respeitado por seus seguidores como o Filho de Deus e não como um mensageiro de Deus, exclusivamente, como Moisés e Mohammad o eram e como os muçulmanos acreditam que Jesus era).

O Profeta Esperado tinha que vir da Arábia

O Deuteronômio 33:1.2 combina as referências a Moisés, Jesus e Mohammad. Fala de Deus (isto é, da revelação de Deus) chegando do Sinai, surgindo de Seir (provavelmente a cidade de As’ir, próxima a Jerusalém) e brilhando além de Paran. De acordo com Gênesis 2l:2l, o deserto de Paran era o lugar onde Ismael acampou (isto é, a Arábia, especificamente Macca).

Na verdade, a versão da Bíblia do Rei James, menciona os peregrinos passando pelo vale de Ba’ca (um outro nome de Macca) nos Salmos 84:4-6. Isaías 42:1-13, fala do amado de Deus. Seu eleito e mensageiro que trará a lei a ser aguardada nas ilhas e que “não fracassará nem desanimará até que ele tenha fixado o julgamento sobre a terra.” O versículo 11, liga aquele mensageiro aguardado aos descendentes de Ke’dar. Quem é Ke’dar? De acordo com o Gênesis 25:13, Ke’dar era o segundo filho de Ismael, o antepassado de Mohammad.

O Alcorão foi Profetizado na Bíblia ?

Durante 23 anos, as palavras de Deus (o Alcorão) foram sendo postas na boca de Mohammad. Ele não foi o autor do Alcorão. O Alcorão foi ditado a ele pelo Anjo Gabriel, que pedia que Mohammad simplesmente repetisse as palavras, conforme ele as ia ouvindo. Estas palavras foram, então, guardadas na memória e escritas por aqueles que as ouviram durante a existência de Mohammad, e sob sua supervisão.

Seria, então, uma coincidência, que o profeta “como Moisés”, da “família ” dos israelitas (isto é, dos ismaelitas), fosse também descrito como aquele, em cuja boca Deus poria suas palavras, e que falaria em nome de Deus? (Deuteronômio 18:18) Também teria sido coincidência que o “Paracleto” , cuja chegada Jesus profetizou, fosse descrito como aquele que “não falar´ por ele, mas por aquilo que ele ouvirá, que ele falará …” ?(João 16:13)

Teria sido uma outra coincidência, que Isaías fizesse a conexão entre o mensageiro, ligado a Ke’dar, e uma nova canção (uma escritura numa nova língua) para ser cantada pelo Senhor? (Isaías 42:10-11). Mais explicitamente, Isaías profetiza “com lábios balbuciantes, e uma outra língua, falará a seu povo” (Isaías 28:11). Este último versículo, descreve corretamente os “lábios balbuciantes” do Profeta Mohammad, refletindo o estado de tensão e concentração que ele atingiu durante o tempo da revelação. Um outro ponto é que o Alcorão foi revelado em pequenas doses, durante 23 anos. É interessante comparar este fato com Isaías 28:19, que fala a mesma coisa.

A Mulher no Islam: Mito e Realidade

Baseado nos trabalhos do Dr. Sherif AbdelAzeem Mohamed

Há 5 anos atrás, li no Toronto Star, edição de 3.7.90, um artigo intitulado “O Islam não está sozinho nas doutrinas patriarcais”, de Gwyne Dyer. O artigo descrevia as reações furiosas das participantes de uma conferência sobre mulheres e poder, realizada em Montreal, aos comentários da famosa feminista egípcia, Dra. Nawal Saadawi.

Suas declarações “politicamente incorretas”, incluíam: “os elementos mais restritivos em relação às mulheres, podem ser encontrados, primeiro no Judaísmo, Velho Testamento, depois no Cristianismo e, finalmente, no Alcorão”; “todas as religiões são patriarcais porque elas provêm de sociedades patriarcais”; e “o véu das mulheres não é uma prática especificamente islâmica mas, sim, um herança cultural antiga, com analogia nas religiões irmãs”. As participantes não puderamam ficar sentadas, enquanto suas crenças estavam sendo igualadas ao Islam. Assim, a Dra. Saadawi recebeu uma avalanche de críticas.

“Os comentários da Dra. Saadawi eram inaceitáveis. Suas respostas revelavam uma falta de compreensão acerca da fé das outras pessoas” , declarou Bernice Dubois, do Movimento Mundial de Mães. “Eu tenho que protestar”, disse a participante Alice Shalvi, da televisão feminina de Israel, “não existe o conceito do véu no Judaísmo”. O artigo atribuía esses furiosos protestos à uma forte tendência no Ocidente de culpar o Islam por práticas que são muito mais uma parte da própria herança cultural do Ocidente.

“As feministas cristãs e judias não irão se sentar para discutir, em igualdade de condições, com as más muçulmanas”, escreveu Gwyne Dyer.

Não me surpreendeu que as participantes da conferência tivessem uma tal visão negativa do Islam, especialmente por envolver questões femininas. Acredita-se, no Ocidente, que o Islam é o símbolo da subordinação das mulheres por excelência. A fim de compreendermos como está enraizada tal crença, basta mencionar que o Ministro da Educação da França, a terra de Voltaire, recentemente ordenou a expulsão, das escolas francesas, de todas as jovens muçulmanas que vestissem o Hijab! Na França é negado a uma jovem muçulmana, que usa um lenço, o direito à educação, enquanto que estudantes católicos podem usar uma cruz ou um estudante judeu pode usar o solidéu. A cena de policiais franceses, impedindo jovens muçulmanas com as cabeças cobertas de entrarem no colégio, é inesquecível. Este fato nos traz à memória outra cena igualmente triste, do Governador George Wallace, do Alabama, em l962, em pé, defronte ao portão da escola, entando bloquear a entrada de estudantes negros, a fim de impedir a desagregação das escolas do Alabama. A diferença entre as duas cenas é que os estudantes negros tiveram a simpatia de muitas pessoas nos EUA e no mundo inteiro. O presidente Kennedy enviou a Guarda Nacional Americana para forçar a entrada dos estudantes negros. As moças muçulmanas, por outro lado, não receberam a ajuda de ninguém. Sua causa parece ter muito pouca simpatia, tanto dentro da França como fora. A razão é a incompreensão e o medo de tudo que seja islâmico no mundo atual.

O que mais me intrigou sobre a conferência de Montreal foi uma questão: As declarações feitas por Saadawi, ou qualquer de suas críticas, são verdadeiras? Em outras palavras, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islam têm o mesmo conceito sobre as mulheres? São tais conceitos diferentes? O Judaísmo e o Cristianismo, na verdade, oferecem às mulheres um tratamento melhor do que o Islam? Qual é a verdade?

Não é tarefa fácil pesquisar e encontrar respostas para estas questões difíceis. A primeira dificuldade é que a pessoa tem que ser honesta e objetiva ou, pelo menos, fazer o máximo para o ser. Isto é o que o Islam ensina. O Alcorão instruiu os muçulmanos a dizerem a verdade, mesmo que aqueles que estejam próximos a eles não gostem disso: “… e se falardes, sede justo, mesmo que se refira a um parente próximo” (6:152); “Ó aqueles que creram, erijam a justiça na partilha, como testemunhas de Alá, ainda que contra vós mesmos, ou seus pais ou seus parentes, …”

A outra grande dificuldade é o fôlego irresistível do assunto. Por essa razão, durante os últimos poucos anos, despendi muitas horas lendo a Bíblia, a Enciclopédia da Religião, e a Enciclopédia Judaica, na busca de respostas. Também li muitos livros que discutem a posição das mulheres nas diferentes religiões, escritos por exegetas, apologistas e críticos. O material apresentado nos capítulos seguintes, representa as descobertas importantes dessa humilde pesquisa. Eu não sou objetivo, absolutamente..

Isto está além da minha limitada capacidade. Tudo que posso dizer é que tentei, através dessa pesquisa, me aproximar do ideal alcorâmico de “falar imparcialmente”.

Gostaria de enfatizar nesta introdução, que minha proposta para este estudo não é denegrir o Judaísmo ou o Cristianismo.

Como muçulmanos, acreditamos nas origens divinas de ambos. Ninguém pode ser muçulmano sem acreditar em Moisés e Jesus como grandes profetas de Deus. Meu intento é somente reivindicar o Islam e pagar um tributo para a última mensagem verdadeira de Deus para a raça humana. Também gostaria de enfatizar que me preocupei somente com a Doutrina. Quer dizer, minha preocupação é, principalmente, a posição das mulheres nas três religiões, como aparece em suas fontes originais, e não como é praticada por seus milhões de seguidores no mundo de hoje. Por causa disso, a maior parte das evidências citadas vêm do Alcorão, dos ditos do Profeta Mohammad, da Bíblia, do Talmud e dos ditos de alguns dos mais influentes padres da Igreja, cujos pontos de vista contribuíram imensamente para definir e desenhar o Cristianismo. Muitas pessoas confundem cultura com religião, e outras não sabem o que seus livros religiosos dizem, e outras ainda, sequer cuidam disso.

O Erro de Eva ?

As três religiões concordam com um fato básico: Tanto as mulheres como os homens foram criados por Deus, o Criador de todo o Universo. Contudo, a divergência começa logo após a criação do primeiro homem, Adão, e da primeira mulher, Eva. A concepção judaico-cristão da criação de Adão e Eva está narrada detalhadamente em Gênesis, 2:4-3:24. Lá está relatado que Deus proibiu o homem de comer do fruto da árvore proibida. O Senhor Deus deu ao homem uma ordem, dizendo: “Podes comer de todas as árvores do jardim. 17 Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não deves comer, porque no dia em que o fizeres serás condenado a morrer”. Também deu a mesma ordem à mulher. A serpente seduziu Eva para o que o comesse. E a mulher respondeu à serpente: “Do fruto das árvores do jardim, Deus nos disse ‘não comais dele nem sequer o toqueis, do contrário morrereis.” A serpente replicou à mulher: “De modo algum morrereis 5 vezes que Deus sabe: no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal”. E Eva, por sua vez, seduziu Adão para comer com ela. Gênesis 6 A mulher notou que era tentador comer da árvore, pois era atraente aos olhos e desejável para se alcançar inteligência. Colheu o fruto, comeu-o e deu também ao marido, que estava junto. E ele comeu. E quando Deus repreendeu Adão pelo que ele havia feito, ele colocou a culpa em Eva. Gênesis 11 Disse-lhe Deus: “E quem te disse que estavas nu? Então, comeste da árvore, de cujo fruto te proibido?” 12 E o homem disse: “A mulher que me destes por companheira, foi ela que me fez provar do fruto da árvore e eu o comi”. Consequentemente, Deus disse a Eva Gênesis 16: “Multiplicarei os sofrimentos de tua gravidez. Entre dores darás à luz os filhos, a paixão arrastar-te-á para o marido e ele te dominará”. Para Adão Ele disse Gênesis 17 “Porque ouviste a voz da mulher e comeste da árvore, cujo fruto te proibi comer, amaldiçoada será a terra por tua causa. Com fadiga tirarás dela o alimento durante toda a vida. 18 Produzirá para ti espinhos e abrolhos e tu comerás das ervas do campo. 19 Comerás o pão com o suor do rosto, até voltares à terra, de onde foste tirado. Pois tu és pó e ao pó hás de voltar”.

O conceito islâmico da primeira criação é encontrado em muitas passagens do Alcorão, como por exemplo: “E dissemos ó! Adão, mora tu e tua zauj (mistura companheira) no Paraíso e comam dele prosperamente onde lhes aprouver, e não vos aproximeis desta árvore e então sereis dos injustos.” (Alcorão 2:35).

Então, Satanás sussurrou para eles, a fim de revelar a ambos o que lhes havia sido ocultado de SAUÉTIHIMÉ (suas ambas e outras igualmente presentes, invisíveis, não bons atributos) e, então, disse: “Não vos proibiu a ambos, Vosso Senhor, desta árvore senão de seres ambos convertidos em anjos ou de serem ambos dentre os imortais”. E jurou-lhes que era um conselheiro sincero. Assim, a ambos, DALLÉHUMÉ (indicou a ambos em confiança, porém, com enganos, arrancando-os e enviando-os para baixo, no que intencionou). Quando ambos provaram da árvore, divisaram ambos suas nudez; e começaram a cobrir-se com folhas do paraíso. E seu Senhor chamou a ambos: “Eu não vos havia proibido daquela árvore e dito a ambos que Satanás é vosso inimigo declarado?” Eles disseram: “Senhor Nosso. Nós injustiçamos a nós mesmos e se Tu não nos perdoares, Te apiedares de nós, certamente estaremos dentre os perdedores.” (7:20:23).

Um exame mais cuidadoso dos dois relatos sobre a Criação, revela algumas diferenças essenciais. O Alcorão, ao contrário da Bíblia, coloca a culpa igualmente em Adão e Eva erro de ambos. Não há no Alcorão a mais leve sugestão de que Eva tentou Adão, ou mesmo que ela tenha comido do fruto antes dele. Eva, no Alcorão, não é insinuante, sedutora ou vencida. Além do mais, Eva não pode ser culpada pelas dores do parto. Deus, de acordo com o Alcorão, não pune ninguém pelas faltas do outro. Ambos, Adão e Eva, cometeram um pecado e então pediram a Deus o perdão, e Ele os perdoou.

O Legado de Eva

A imagem de Eva na Bíblia, como uma mulher tentadora, teve um impacto extremamente negativo para as mulheres através da tradição judaico-cristã. Acreditava-se que todas as mulheres haviam herdado de sua mãe, a bíblica Eva, tanto a sua culpa como a sua astúcia. Consequentemente, as mulheres não eram dignas de confiança, eram moralmente inferiores e más.

Menstruação, gravidez e parto eram considerados punições justas para uma culpa eterna do amaldiçoado sexo feminino.

A fim de examinarmos como foi negativo o impacto da Eva bíblica sobre sua descendência feminina, temos que olhar para os escritos de alguns do mais importantes judeus e cristãos de todos os tempos. Comecemos pelo Velho Testamento, e olhemos para alguns excertos da chamada Literatura da Sabedoria, onde encontramos: “Eu acho a mulher um pouco pior do que a morte, porque ela é uma armadilha, cujo coração é um alçapão e cujas mãos são cadeias. O homem que agrada a Deus foge dela, mas ao pecador ela o aprisionará … enquanto eu estava procurando, e não estava encontrando, achei um homem correto entre mil, mas não encontrei uma só mulher correta entre todas elas” (Eclesiastes 7:26-28).

Em outra parte da literatura hebraica, que é encontrada na bíblia católica, nós lemos: “Nenhuma maldade está mais próxima do que a maldade de uma mulher” … “O pecado começa com a mulher e, graças a ela, todos nós devemos morrer”. (Eclesiastes 25:19,24).

Os rabinos judeus listaram nove maldições infligidas às mulheres, como resultado da Queda: “Para a mulher Ele deu nove maldições e a morte: o peso do sangue da menstruação e o sangue da virgindade; o peso da gravidez; o peso do parto; o peso de educar crianças; sua cabeça é coberta como no luto; ela fura a orelha como uma escrava permanente, ou escrava que serve ao seu senhor; ela não deve ser tomada por testemunha; e depois de tudo — a morte”. (2)

Nos dias atuais, judeus ortodoxos, em suas preces matinais diárias, recitam “Abençoado seja Deus, Rei do universo que não nos fez mulher”. As mulheres, por outro lado, agradecem a Deus cada manhã por “me fazer de acordo com Tua vontade”. (3) Outra oração encontrada em muitos livros de preces judeus: “Louvado seja Deus que não me criou gentio. Louvado seja Deus que não me criou mulher. Louvado seja Deus que não me criou ignorante”. (4)

A Eva bíblica desempenhou um papel mais importante no Cristianismo do que no Judaísmo. Seu pecado foi a base de toda a fé cristã, porque a concepção cristã da razão da missão de Jesus Cristo na terra provém da desobediência de Eva. Ela pecou e, então, seduziu Adão para seguí-la em seu propósito. Consequentemente, Deus expulsou a ambos do Céu para a Terra, que foi amaldiçoada por causa deles. Eles herdaram seus pecados, os quais não foram perdoados por Deus e, assim, todos os humanos nascem em pecado. A fim de purificar os seres humanos do “pecado original”, Deus teve que sacrificar, na cruz, Jesus, que é considerado o filho de Deus. Em razão disso, Eva é culpada de seu próprio pecado, do pecado de seu marido, do pecado original de toda a humanidade e da morte do Filho de Deus. Em outras palavras, uma só mulher, agindo por conta própria, causou toda a queda da humanidade (5). O que dizer sobre suas filhas? Elas são pecadoras como Eva e devem ser tratadas como tal. Ouçam o tom severo de São Paulo no Novo Testamento: Uma mulher deve aprender em calma e total submissão. Eu não permito a uma mulher ensinar ou ter autoridade sobre um homem; ela deve ser calada. Porque Adão foi feito primeiro, e depois Eva. E Adão não foi o que perdeu, foi a mulher que perdeu e se tornou pecadora (I Timóteo 2:11-14).

São Tertuliano foi mais brando que São Paulo, quando ele falava “às queridas irmãs” na fé. Ele dizia (6): “Vocês sabem que cada uma de vocês é uma Eva? A sentença de Deus sobre o sexo de vocês subsiste até agora: a culpa necessariamente subsiste também. Vocês são a porta de entrada para o Diabo: Vocês são a marca da árvore proibida: Vocês são as primeiras desertoras da divina lei: Vocês são aquelas que persuadiram o homem de que o diabo não precisava ser atacado. Vocês destruíram tão facilmente a imagem de Deus, o homem. Por causa de sua deserção, o Filho de Deus teve que morrer”.

Santo Agostinho foi fiel ao legado de seus antecessores. Ele escreveu a um amigo: “Qual é a diferença, seja uma esposa, ou uma mãe, ainda assim é da Eva tentadora que devemos nos precaver em qualquer mulher. Eu não consigo ver qual o uso que uma mulher pode ter para um homem, exceto a função de dar à luz crianças”.

Séculos mais tarde, São Tomás de Aquino ainda considerava a mulher como um defeito: “Com relação à natureza individual, a mulher é defeituosa e mal feita, porque a força ativa na semente masculina tende para a produção de uma perfeita semelhança no sexo masculino; enquanto que a produção da mulher provém de um defeito na força ativa ou de alguma indisposição material, ou mesmo de algumas influências externas”.

Finalmente, o famoso reformador Martinho Lutero não conseguia ver qualquer benefício em uma mulher, a não ser trazer ao mundo tantas crianças quanto possível, apesar das conseqüências: “Se elas se cansarem ou mesmo morrerem, isto não é problema. Deixe-as morrer no parto, é para isso que estão aqui”.

Muitas vezes as mulheres foram denegridas por causa da imagem de Eva como a tentadora, graças ao relato em Gênesis. Para resumir, a concepção judaico-cristã sobre as mulheres foi envenenada pela crença na natureza pecaminosa de Eva e de sua descendência feminina.

Se agora voltarmos nossa atenção para o que o Alcorão diz sobre as mulheres, cedo perceberemos que a concepção islâmica sobre elas é radicalmente diferente daquela encontrada no conceito judaico-cristão. Deixemos que o Alcorão fale por si mesmo: “Quanto aos muçulmanos e muçulmanas, aos fiéis e às fiéis, aos devotados e às devotadas, aos verdadeiros e às verdadeiras, aos homens e mulheres que são perseverantes, aos homens e mulheres que são humildes, para os homens e mulheres que fazem a caridade, para os homens e mulheres que jejuam, aos homens e mulheres que guardam a castidade, e aos homens e mulheres que se comprometem em louvar Alá, para todos eles Alá preparou o perdão e uma grande recompensa” (33:35).

“Os crentes, homens e mulheres, são protetores uns dos outros: usufruem do que é justo e proíbem o mal, observam as preces regulares, praticam a caridade regularmente e obedecem a Alá e Seu Mensageiro. Sobre eles Alá despejará Sua Misericórdia: porque Alá é Exaltado em poder e sabedoria” (9:71)

“E seu Senhor respondeu a eles: Verdadeiramente, jamais perderei a obra de qualquer um de vós, seja homem ou mulher, porque procedeis uns do outros” (3:195)

“Quem cometer uma iniquidade será pago na mesma moeda e aquele que praticar o bem, seja homem ou mulher, e é um crente, entrará no Jardim de felicidade” (40:40).

“Quem praticar o bem, seja homem ou mulher, e for fiel, concederemos uma vida agradável e premiaremos com uma recompensa, de acordo com o melhor de suas ações” (16:97).

Está claro que a visão do Alcorão a respeito da mulher não difere da do homem. Ambos são criaturas de Deus e têm como sublime meta adorar seu Senhor, fazer boas ações e evitar o mal e por isso serão avaliados harmoniosamente. O Alcorão jamais menciona que a mulher é a porta de entrada para o mal ou que ela é uma enganadora por excelência. O Alcorão também jamais menciona que o homem é a imagem de Deus. Todos os homens e mulheres são suas criaturas e só.

De acordo com o Alcorão, o papel da mulher na terra não está limitado somente ao parto. Dela se exige fazer boas ações, tanto quanto é exigido dos homens. O Alcorão nunca diz que jamais existiu uma mulher correta. Pelo contrário, o Alcorão instruiu a todos os crentes, homens e mulheres, a seguir o exemplo daquelas mulheres , tais como a Virgem Maria e a esposa do Faraó:

“E Deus dá, como exemplo aos fiéis, o da esposa do Faraó, que disse: Ó Senhor meu, construí, junto a ti, uma morada no Paraíso e livra-me do Faraó e de suas ações, e salva-me dos iníquos! E com Maria, filha de Imram, que conservou seu pudor e a qual nos alentamos com o nosso Espírito; e ela testemunhou a verdade das palavras de seu Senhor e de Suas revelações e era uma das devotas” (66:11/13).

Filhas Vergonhosas ?

Realmente, a diferença entre a atitude bíblica e a alcorâmica, em relação ao sexo feminino, começa logo que a mulher nasce.

Por exemplo, a Bíblia estabelece que o período do ritual materno da impureza é duas vezes mais longo se uma menina nasce do que no caso de um menino (Levítico 12:2-5) . A Bíblia Católica estabelece explicitamente que: “O nascimento de uma filha é uma prejuízo” (Eclesiastes 22:3). Em contraste com essa absurda declaração, os meninos recebem especial louvor: “Um homem que educa seu filho será invejado por seu inimigo” (Eclesiastes 30:3).

Os rabinos judeus tornaram uma obrigação para os homens produzirem uma descendência, a fim de propagar a raça. Ao mesmo tempo, eles não escondiam sua preferência por meninos: “É bom para aqueles cujas crianças são meninos, mas é mau para aqueles cujas crianças são meninas”, ” no nascimento de um menino tudo é alegria … no nascimento de uma menina tudo é tristeza”, e “Quando um menino chega ao mundo, a paz chega ao mundo … Quando uma menina chega ao mundo, nada chega”. (7)

Uma filha é considerada um peso doloroso, uma fonte potencial de vergonha para seu pai: “Sua filha é teimosa? Mantenha um olhar firme para que ela não faça de você um motivo de gargalhada para seus inimigos, de falatório na cidade, objeto de fofocas e coloque você em situação de vergonha pública” (Eclesiastes 42:11). Mantenha uma filha teimosa sob firme controle ou ela abusará de qualquer indulgência que receba. Mantenha vigilância sobre seu olho sem-vergonha, não se surpreenda se ela o desgraçar” (Eclesiastes 26:10-11). Foi esta mesma idéia, de tratar as filhas como fonte de vergonha, que levou os árabes pagãos , antes do advento do Islam, a praticar o infanticídio feminino. O Alcorão condena vigorosamente esta prática hedionda:

“Quando a algum deles é anunciado o nascimento de uma filha o seu semblante se entristece e fica angustiado. Oculta-se do seu povo, pela má notícia que lhe foi anunciada: deixá-la-á viver, envergonhado, ou a enterrará viva? Que péssimo é o que julgam.” (16:58/59).

Deve ser dito que, este crime sinistro, jamais teria parado na Arábia, não fora a força dos termos que o Alcorão usou para condenar tal prática (l6:59, 43:17, 8l:8/9).

Além disso, o Alcorão não faz distinção entre meninos e meninas. Em contraste com a Bíblia, o Alcorão considera o nascimento de uma mulher como um presente e uma bênção de Deus, da mesma forma que o nascimento de um menino. O Alcorão sempre menciona o presente do nascimento feminino primeiro:

“A Alá pertence o domínio dos céus e da terra. Ele cria o que lhe apraz. Concede filhas a quem quer e filhos a quem lhe apraz” (42:49).

A fim de apagar qualquer traço do infanticídio feminino na nascente sociedade muçulmana, o Profeta Mohammad prometeu àqueles que fossem abençoados com filhas uma grande recompensa, se eles as tratassem gentilmente: “Aquele que se ocupa da educação das filhas e as trata benevolentemente, estará protegido contra o Inferno” (Bukhari e Muslim). “Aquele que mantém duas meninas, até que elas atinjam a maturidade, ele e eu chegaremos no dia da ressurreição desse modo: e ele juntou seus dedos” (Muslim).

A Educação Feminina ?

A diferença entre os conceitos bíblicos e os alcorâmicos sobre a mulher não está limitada apenas ao seu nascimento, ela se extende muito mais adiante. Comparemos suas atitudes em relação à mulher, tentando aprender sua religião. O coração do judaísmo é a Tora, a lei. Contudo, de acordo com o Talmud, “as mulheres estão isentas de estudarem a Tora”. Alguns rabinos declaram firmemente “é preferível que as palavras da Tora sejam destruídas pelo fogo a serem partilhadas com uma mulher”, e “aquele que ensina a sua filha a Tora é como se ele lhe ensinasse obscenidade” (8).

A atitude de São Paulo no Novo Testamento não é mais inteligente: “Como em todas as congregações de santos, as mulheres devem permanecer caladas nas igrejas. Não é permitido a elas falar, e devem ser submissas, como a lei diz. Se elas quiserem perguntar sobre alguma coisa, devem perguntar aos seus maridos em casa; porque é vergonhoso para uma mulher falar nas igrejas”. (I Coríntios 14:34/35)

Como pode a mulher se instruir se não lhe é permito falar? Como pode uma mulher crescer intelectualmente se ela é obrigada a um estado de completa submissão? Como pode ela delinear seus horizontes, se sua única fonte de informação é seu marido em casa?

Agora, para ser gentil, devemos perguntar: A posição alcorâmica é diferente? Uma pequena estória narrada no Alcorão resume sua posição concisamente. Khawlah era uma muçulmana, cujo marido Aws declarou, em um momento de raiva: “Para mim você é como as costas de minha mãe”. Isto era tomado como uma declaração de divórcio pelos árabes pagãos e liberava o marido de qualquer responsabilidade conjugal, mas não deixava a esposa livre para deixar a casa do marido ou para se casar de novo. Tendo ouvido estas palavras de seu marido, Khawlah estava em uma triste situação. Ela foi direto ao Profeta do Islam para apelar para o seu caso. O Profeta era de opinião que ela deveria ser paciente, desde que parecesse que não havia outro caminho. Khawlah continuou questionando o Profeta, na esperança de salvar o seu casamento. Rapidamente, o Alcorão interveio e o apelo de Khawlah foi aceito. O veredicto divino aboliu este costume iníquo. Um capítulo inteiro (Capítulo 58) do Alcorão, intitulado A Discussão, ou “A mulher que questionou”, foi nomeado após este incidente:

“Alá ouviu e aceitou a declaração da mulher que apela a você (o Profeta) acerca de seu marido e leva sua queixa à Alá e Alá ouve os argumentos entre vocès, porque Alá ouve e vê todas as coisas …” (58:1)

A mulher na concepção alcorâmica, tem o direito de argumentar, mesmo com o Profeta do Islam. Ninguém tem o direito de instruí-la a ficar calada. Ela não é obrigada a considerar seu marido a única referência em matéria de lei e religião.

A Mulher Suja e Impura

As leis e regulamentos judaicos, referentes à mulher menstruada, são extremamente restritivos. O Velho Testamento considera qualquer mulher menstruada impura e suja. Além disso, sua impureza “infecta” outras pessoas também. Qualquer um ou qualquer coisa tocada por ela torna-se sujo por um dia: “Quando uma mulher tem seu fluxo regular de sangue, a impureza de seu período mensal durará por sete dias e qualquer um que a toque estará sujo até a noite. Qualquer lugar onde ela se deite, durante o seu período, ficará sujo e qualquer lugar onde ela se sente ficará sujo. Qualquer um que toque sua cama precisa lavar suas roupas e banhar-se com água e ele ficará sujo até a noite. Qualquer um que toque qualquer lugar onde ela se senta deve lavar suas roupas e banhar-se com água e ele estará sujo até a noite. Se for a cama ou qualquer coisa que ela estava sentada, que alguém tocou, ele ficará sujo até a noite” (Levítico 15:19/23).

Devido à sua natureza “contaminadora”, uma mulher menstruada era “banida” algumas vezes, a fim de evitar qualquer possibilidade de contato com ela. Ela era mandada para um lugar especial, chamado “a casa das impuras”, por todo o período de sua impureza (9). O Talmud considera a mulher menstruada como “fatal”, mesmo que não haja qualquer contato físico: “Nossos rabinos ensinaram: … se uma mulher menstruada passar entre 2 (homens), se ela estiver no início de suas regras, ela matará um deles e se estiver no final de suas regras ela causará briga entre eles” (bPes. 111a.)

Além disso, o marido de uma mulher menstruada era proibido de entrar na sinagoga, se ela o tivesse feito ficar impuro, mesmo que pela poeira de seus pés. Um pastor, cuja esposa, filha ou mãe estivessem menstruadas, não podia recitar as bênçãos na sinagoga (10) . Não espanta que muitas mulheres judias se refiram à menstruação como “a maldição”.

O Islam não considera a mulher menstruada como possuída por qualquer espécie de “sujeira contagiosa”. Ela não é nem “intocável” nem “amaldiçoada”. Ela pratica sua vida normal, apenas com algumas restrições. Um casal não pode ter relações sexuais durante o período menstrual. Qualquer outro contato físico entre eles é permitido. Uma mulher menstruada está isenta de alguns rituais, tais como as preces diárias e o jejum durante o seu período.

Dar o Testemunho

Outra questão, na qual o Alcorão e a Bíblia discordam, é a que se refere ao testemunho da mulher. Na verdade, o Alcorão instruiu os crentes a fazerem transações financeiras com o testemunho de 2 homens ou 1 homem e 2 mulheres (2:282).

Contudo, é também verdade que o Alcorão, em outras situações, aceita o testemunho da mulher tão igual quanto ao do homem. Realmente, o testemunho da mulher pode mesmo invalidar o do homem. Se um homem acusa sua esposa de falta de castidade, exige-se dele um juramento solene pelo Alcorão, por 5 vezes, como evidência da culpa de sua esposa. Se a esposa nega e jura igualmente 5 vezes, ela não é considerada culpada e em qualquer dos casos o casamento é dissolvido (24:6/11).

Por outro lado, as primeiras sociedades judaicas (12) não permitiam o testemunho feminino . Os rabinos contavam entre as 9 maldições infligidas às mulheres por causa da queda, a de não ser capaz de prestar testemunho (ver a seção “Legado de Eva”).

Hoje, em Israel, as mulheres não podem apresentar provas em cortes rabínicas (13). Os rabinos justificam o fato de as mulheres não poderem prestar testemunho, citando o Gênesis 18:9/16, onde está estabelecido que Sara, esposa de Abraão, havia mentido. Por causa desse incidente, os rabinos desqualificaram o testemunho feminino. Deve-se notar que esta estória narrada em Gênesis 18:9/16 foi mencionada mais de uma vez no Alcorão, sem qualquer sugestão de que Sara houvesse mentido (11:69/74, 5l:24/30). No ocidente cristão, as leis civis e eclesiásticas proibiam as mulheres de dar testemunho até o final do século passado (14).

Se um homem acusa sua mulher de infidelidade, seu testemunho, segundo a Bíblia, não será considerado de maneira nenhuma. A esposa acusada tinha que ser submetida a um julgamento penoso. Neste julgamento, a esposa enfrentava um ritual complexo e humilhante, no qual se supunha provar sua culpa ou inocência (Números 5:11/31). Se ela fosse culpada ela seria sentenciada à morte. Se ela fosse inocente, seu marido seria inocentado de qualquer injustiça. Além disso, se um homem toma uma mulher como esposa e, então, ele a acusa de não ser virgem, o testemunho dela não será levado em conta. Seus pais tinham que trazer provas de sua virgindade ante os mais velhos da cidade. Se os pais não pudessem provar a inocência de sua filha, ela seria apedrejada até a morte na soleira da casa de seus pais. Se os pais não fossem capazes de provar sua inocência, o marido seria obrigado a pagar uma multa e não poderia se divorciar da esposa enquanto ele vivesse: “Se um homem toma uma esposa e, após deitar com ela, se desagrada dela e a difama chamando-a por nomes feios, dizendo, “Eu me casei com esta mulher, mas quando eu me aproximei dela eu não encontrei provas de sua virgindade”, então os pais da moça deverão trazer para os mais velhos da cidade a prova de que ela era virgem. O pai da moça dirá aos mais velhos, “Eu dei minha filha em casamento a este homem, mas ele se antipatizou com ela. Agora, ele está difamando-a e diz “eu não encontrei a sua filha virgem”. Mas, aqui está

a prova da virgindade da minha filha”. Então, seus pais exibirão a roupa perante os anciãos da cidade e eles punirão o homem.

Eles o multarão em 100 moedas de prata e as darão ao pai da moça, porque esse homem deu um nome mau para uma virgem israelita. Ela continuará a ser sua esposa e ele não poderá se divorciar dela enquanto viver. Se, contudo, a acusação for verdadeira e nenhuma prova da virgindade da moça puder ser encontrada, ela será trazida à porta da casa de seu pai e lá, os homens da cidade a apedrejarão até a morte. Ela fez uma coisa vergonhosa para Israel, sendo promíscua enquanto estava na casa de seu pai. O mal deve ser expurgado de entre vocês.” (Deuteronômio 22:13/21)

O Adultério

O adultério e a fornicação são considerados pecados em todas as religiões. A Bíblia decreta a sentença de morte para ambos os adúlteros (Levítico 20:10). O Islam, igualmente, pune tanto o adúltero como a adúltera (24:2). Contudo, a definição alcorâmica é muito diferente da definição bíblica. O adultério, de acordo com o Alcorão, é o envolvimento de um homem casado ou uma mulher casada em um caso extraconjugal. A Bíblia somente considera adultério o caso extraconjugal de uma mulher casada. (Levítico 20:10, Deuteronômio 22:22. Provérbios 6:20/7:27).

“Se um homem é encontrado dormindo com a esposa de outro homem, ambos devem morrer. Deve-se expurgar o mal de Israel” (Deuteronômio 22:22).

“Se um homem comete adultério com a esposa de outro homem, ambos, adúltero e adúltera devem ser colocados para morrer” (Levítico 20:10).

De acordo com a definição bíblica, se um homem casado dorme com uma mulher solteira, isto não é considerado crime de forma nenhuma.

O homem casado, que tem relações extraconjugais com mulheres solteiras, não é um adúltero e as mulheres solteiras envolvidas com ele não são consideradas adúlteras. O crime de adultério é cometido somente quando um homem, seja casado ou solteiro, dorme com uma mulher casada. Neste caso, o homem é considerado adúltero, mesmo que ele não seja casado, e a mulher é considerada adúltera. Em resumo, o adultério é qualquer ato sexual ilícito envolvendo mulher casada. O caso extraconjugal de um homem casado não é, de per si, um crime na Bíblia. Por que este padrão moral duplo? De acordo com a Enciclopédia Judia, a esposa era considerada como posse de seu marido e o adultério constituía a violação do exclusivo direito do marido sobre ela; a esposa, como posse do marido, não tinha direito sobre ele (15). Quer dizer, se um homem tinha uma relação sexual com uma mulher casada, ele estaria violando a propriedade de outro homem e, assim, deveria ser punido.

Nos dias atuais em Israel, se um homem casado se entrega a um caso extraconjugal com um mulher solteira, seus filhos com esta mulher são considerados legítimos. Mas, se uma mulher casada tem um caso com outro homem, seja casado ou solteiro, seus filhos com este homem são considerados ilegítimos e bastardos e são proibidos de casar com qualquer outro judeu, exceto com os convertidos e com outros bastardos. Este impedimento cessa após a 10a. geração, quando se presume que a mancha do adultério enfraqueceu-se (16).

O Alcorão, por outro lado, nunca considera uma mulher como posse de qualquer homem. O Alcorão eloqüentemente descreve a relação entre os esposos dizendo:

“E entre os Seus sinais está que Ele criou para vós companheiros de entre vós mesmos, os quais vós podeis habitar em tranqüilidade com eles e Ele colocou amor e misericórdia em vossos corações: verdadeiramente, nisto há sinais para aqueles que refletem” (30:21).

Este é o conceito alcorâmico de casamento: amor, misericórdia e tranqüilidade, não posse e padrões duplos.

Juramentos

De acordo com a Bíblia, um homem deve cumprir quaisquer juramentos que ele possa fazer a Deus. Ele não pode quebrar a sua palavra. Por outro lado, o juramento de uma mulher não cria necessariamente uma obrigação para ela. Deve ser aprovado pelo seu pai, se ela está morando em sua casa, ou por seu marido, se ela for casada. Se um pai/marido não endossa os juramentos de sua filha/esposa, todas as garantias feitas por ela tornam-se nulas e inócuas: “Mas, se seu pai a proíbe quando ele a ouve fazer o juramento, nenhum de seus juramentos ou garantias pelas quais ela se obrigava, permanecerão … Seu marido pode confirmar ou anular qualquer juramento que ela faça ou qualquer garantia prometida para negar-lhe” (Números 30:2/15).

Por que a palavra de uma mulher não a sujeita de per si? A resposta é simples: porque ela é propriedade de seu pai, antes do casamento, ou de seu marido após o casamento. O controle paterno sobre sua filha era absoluto até o ponto em que, se ele o desejasse, poderia vendê-la! Está indicado nos escritos dos rabinos que: “O homem pode vender sua filha, mas a mulher não pode vender sua filha; o homem pode contratar casamento para a sua filha, mas a mulher não pode fazê-lo para sua filha”. (17). A literatura rabínica também indica que o casamento representa a transferência de controle do pai para o marido: “o noivado, fazendo da mulher a posse sacrossanta – a propriedade inviolável — do marido …”; Obviamente, se a mulher é considerada propriedade de alguém, ela não pode dar qualquer garantia que seu dono não aprove.

É de interesse notar que esta instrução bíblica, relativa aos juramentos das mulheres, teve repercussões negativas sobre as mulheres judias e cristãs até o início deste século. Uma mulher casada, no mundo ocidental, não tinha status legal. Nenhum ato seu tinha qualquer valor legal. Seu marido podia repudiar qualquer contrato, comércio ou negócio feito por ela. As mulheres no ocidente (as maiores herdeiras do legado judaico-cristão) eram tidas como incapazes de cumprir contratos porque elas eram praticamente a posse de alguém. As mulheres ocidentais sofreram por quase 2 mil anos por causa da postura bíblica em relação à posição da mulher, vis-a-vis seus pais e maridos (18).

No Islam, o juramento de cada muçulmano, homem ou mulher, o/a sujeita. Ninguém tem o poder de repudiar as garantias de quem quer que seja. Falhar na manutenção de um juramento solene, feito por um homem ou uma mulher, tem que ser expiado conforme indicado no Alcorão: “Ele (Deus) vos chamará pelos vossos juramentos deliberados: como expiação, alimentai dez pessoas indigentes, da maneira como alimentais vossa família,. ou vesti-os, ou libertai um escravo. Se isso estiver além de vossas posses, jejuai por 3 dias. Esta é a expiação para os vossos perjúrios. Mantenham, pois, vossos juramentos” 5:89).

Os companheiros do Profeta Mohammad, homens e mulheres, costumavam apresentar seus juramentos de submissão a ele pessoalmente. As mulheres, tanto quanto os homens, vinham livremente até ele e prestavam seus juramentos: “Ó Profeta, quando as mulheres crentes vierem a ti para fazer um acordo contigo de que elas não atribuirão parceiros a Deus, nem roubarão, ou fornicarão, ou matarão seus próprios filhos, não matarão ninguém, nem desobedecerão a ti em qualquer assunto, então tome este compromisso com elas e peça a Deus o perdão para os pecados delas. Na verdade, Deus é Perdoador e o mais Misericordioso (60:12).

Um homem não pode fazer um juramento por conta de sua filha ou esposa. Nem pode um homem repudiar o juramento feito por quaisquer de suas parentes femininas.

Propriedade da Esposa ?

As três religiões dividem uma fé inabalável na importância do casamento e da vida familiar. Elas também concordam na liderança do marido sobre a família. No entanto, diferenças gritantes existem entre as três religiões, com relação aos limites dessa liderança. A tradição judaico-cristã, diferente do Islam, virtualmente estende a liderança do marido até o direito de posse de sua esposa.

A tradição judaica, com referência ao papel do marido em relação a sua esposa, origina-se do conceito de que ele a possui como sua escrava (19). Este conceito foi a razão que norteou o padrão duplo nas leis do adultério e na capacidade de o marido anular os juramentos de sua esposa. Este conceito foi também o responsável para se negar à esposa qualquer controle sobre sua propriedade ou ganhos. Assim que a mulher judia se casava, ela perdia completamente qualquer controle sobre sua propriedade e ganhos para o seu marido. Os rabinos judeus afirmavam que o direito do marido sobre a propriedade de sua esposa era um corolário de sua posse sobre ela: “Desde que alguém entre na posse da mulher não deveria entrar na posse de sua propriedade também?” , e “Desde que ele tenha adquirido a mulher, não deve ele adquirir sua propriedade também?” (20).

Assim, o casamento determinava que a mulher mais rica se tornasse praticamente sem um tostão. O Talmud descreve a situação financeira da esposa como se segue:

“Como pode uma mulher ter alguma coisa; o que quer que seja dela, pertence ao seu marido? O que é dele é dele e o que é dela é também dele … Seus ganhos, e o que ela possa encontrar nas ruas, também são dele. Os artigos domésticos, mesmo as migalhas de pão sobre a mesa, são dele. Ter um convidado em sua casa e alimentá-lo é roubar de seu marido …” (San. 71a, Git. 62a.).

A questão é que a propriedade da mulher judia significava atrair pretendentes. A família judia fixaria para sua filha uma quota representativa do estado de seu pai, a ser usada como dote em caso de casamento. Era este dote que tornava as filhas judias um peso inoportuno para seus pais. O pai tinha que educar sua filha por anos e então prepará-la para o casamento, providenciando um grande dote. Assim, a moça na família judia era uma obrigação e não um direito (21). Esta responsabilidade explica por que o nascimento de uma filha não era celebrado com alegria nas antigas sociedades judias (ver a seção “Filhas Vergonhosas?”. O dote era o presente de casamento apresentado ao noivo sob os termos de contrato. O marido agiria como o proprietário do dote mas não podia vendê-lo. A noiva perderia qualquer controle sobre o dote no momento do casamento. Além disso, esperava-se dela trabalhar após o casamento e todos os seus ganhos tinham que ir par seu marido, como paga por sua manutenção, a qual era obrigação dele. Ela poderia ter de volta sua propriedade somente em duas situações: divórcio ou a morte do marido. Se ela morresse primeiro, ele herdaria sua propriedade. No caso da morte do marido, a esposa poderia retomar sua propriedade de antes do casamento, mas ela não se habilitava a herdar qualquer cota de propriedade do marido falecido. Deve ser acrescentado que o noivo também tinha que apresentar seu presente de casamento à noiva, contudo, de novo, ele era praticamente o proprietário deste presente enquanto eles estivessem casados. (22).

O cristianismo, até recentemente, seguiu a mesma tradição judaica. No império cristão romano (após Constantino), tanto as autoridades civis como as religiosas, exigiam um acordo sobre a propriedade, como condição para o reconhecimento do casamento. As famílias ofereciam às suas filhas aumento dos dotes e, como resultado, os homens tendiam a se casar mais cedo, enquanto que as famílias retardavam o casamento delas até o máximo. (23). Pela lei canônica, uma esposa se habilitava à restituição de seu dote se o casamento fosse anulado, a menos que ela fosse culpada de adultério. Neste caso, ela perdia seu direito ao dote, o qual permanecia nas mãos do marido (24). Pelas leis canônica e civil, uma mulher casada, na Europa cristã e na América, até o final do séc. XIX e início do séc. XX, perdia os direitos a sua propriedade. Os direitos da mulher inglesa, por exemplo, foram compilados e publicados em l632. Estes “direitos” incluíam: “Aquilo que o marido possui é seu. Aquilo que a esposa tem é do marido” (25)

A esposa não somente perdia sua propriedade após o casamento, como perdia sua personalidade também. Nenhum ato jurídico dela tinha valor legal. Seu marido podia repudiar qualquer compra ou presente feito por ela como sendo nulo de qualquer valor legal. A pessoa com quem ela tivesse contratado era tomado como um criminoso por ter participado de uma fraude. Além disso, ela não podia processar, sequer seu marido, nem ser processada (26). Uma mulher casada era praticamente tratada como uma criança aos olhos da lei. A esposa simplesmente pertencia a seu marido e, por isso, ela perdia sua propriedade, sua personalidade jurídica e seu nome de família (27)

O Islam, desde o séc. VII d.C, garantiu às mulheres casadas personalidade independente, conquista essa que as mulheres ocidentais se viram privadas até muito recentemente. No Islam, a noiva e sua família não têm obrigação de presentear o noivo.

A moça, numa família muçulmana, não é responsável. Uma mulher é tão dignificada no Islam que ela não precisa presentear ninguém, a fim de atrair maridos em potencial. É o noivo que precisa presentear a noiva com um presente de casamento. Este presente é considerado sua propriedade e, nem o noivo nem a família da noiva têm qualquer direito ou controle sobre tal presente. Em algumas sociedades muçulmanas de hoje, um presente de casamento no valor de US$100.000,00 não é incomum. A noiva fica com o seu presente de casamento, mesmo que mais tarde ela se divorcie. Não é permitida a participação do marido na propriedade de sua esposa, a não que ela ofereça a ele por sua livre e espontânea vontade (29). O Alcorão estabelece sua posição a esse respeito muito claramente: “E concedei os dotes que pertencem às mulheres; mas se elas, de boa vontade, conceder-vos uma parte, aceitai-o e desfrutai-o com bom proveito” (4:4). A propriedade e os ganhos da esposa estão sob seu completo controle e para seu uso somente, uma vez que a sua manutenção e a das crianças é responsabilidade do marido (30). Não importa quão rica seja a esposa, ela não é obrigada a agir como co-provedora para a família, a menos que, voluntariamente, escolha fazê-lo. O casal herda entre si. Além disso, uma mulher casada no Islam conserva sua personalidade legal independente e o nome se sua família (3l). Um juiz americano, certa vez, comentando sobre os direitos das mulheres muçulmanas, disse: “Uma muçulmana pode se casar 10 vezes, mas sua individualidade não é absorvida pela de seus vários maridos. Ela é um planeta solar, com um nome e uma personalidade jurídica própria” (32).

Mães

Em muitos lugares, o Velho Testamento recomenda tratamento gentil e atencioso aos pais e condena aqueles que os desonram. Por exemplo, “Se alguém amaldiçoa seu pai ou sua mãe, ele deve morrer” (Levítico 20:9) e “Um homem sábio traz alegria para seu pai, mas um homem tolo despreza sua mãe” (Provérbios 15:20). Embora honrar o pai somente seja mencionado em alguns lugares, por exemplo, “Um homem sábio presta atenção às instruções de seu pai” (Provérbio (13:1), a mãe nunca é mencionada. Além disso, não há ênfase especial para o tratamento gentil à mãe, como um sinal de apreço pelo seu grande sofrimento pelo parto e pela amamentação. Por outro lado, as mães não herdam nada de seus filhos, como seus pais herdam (42).

É difícil falar sobre o Novo Testamento como uma escritura que se lembre de honrar a mãe. Pelo contrário, tem-se a impressão de que o Novo Testamento considera o tratamento gentil às mães como um impedimento para o caminho de Deus. De acordo com o Novo Testamento, ninguém pode tornar-se um bom cristão, digno de tornar-se um discípulo de Cristo, a menos que ele odeie sua mãe. Atribui-se a Jesus ter dito: “Se alguém vem a Mim e não odeia seu pai e sua mãe, sua esposa e filhos, seus irmãos e irmãs – sim, mesmo sua própria vida – ele não pode ser Meu discípulo” (Lucas 14:26).

Além disso, o Novo Testamento pinta um quadro de Jesus como indiferente, ou mesmo desrespeitoso, em relação a sua própria mãe. Por exemplo, quando ela chegou procurando por ele, enquanto ele pregava para multidão, ele não se preocupou em ir ter com ela: “Então, a mãe e os irmãos de Jesus chegaram. Em pé, do lado de fora, eles pediram a alguém para chamá-lo. Uma multidão estava sentada em volta dele e eles lhe disseram: Sua mãe e seus irmãos estão lá fora procurando-o.

Quem são minha mãe e meus irmãos?, ele perguntou. Então ele olhou para aqueles que estavam sentados à volta dele e disse: Estes são minha mãe e meus irmãos! Quem quer que faça a vontade de Deus é meu irmão e irmã e mãe” (Marcos 3:3l/35)

Alguém pode argumentar que Jesus estava tentando ensinar a seus ouvintes uma importante lição de que os laços religiosos não são menos importantes do que os laços familiares. Contudo, ele podia ter ensinado aos seus ouvintes a mesma lição sem mostrar uma tal absoluta indiferença para com sua mãe. A mesma atitude desrespeitosa aparece quando ele se recusou a endossar uma declaração feita por um membro de sua audiência, abençoando o papel de sua mãe, que o havia gerado e alimentado: “Como Jesus dissesse estas coisas, uma mulher na multidão o chamou ,”abençoada seja a mãe que lhe deu à luz e

o alimentou”. Ele respondeu: “Abençoados antes sejam aqueles cujos corações ouvem a palavra de Deus e obedecem” (Lucas 11:27/28);

Se uma mãe, com a estatura da virgem Maria, foi tratada com tal descortesia, conforme relatado no Novo Testamento, por um filho da estatura de Jesus Cristo, o que dizer então do tratamento dispensado pelos filhos cristãos comuns às suas mães cristãs?

No Islam, a honra, o respeito e a estima pela maternidade é sem paralelo. O Alcorão coloca a importância da gentileza para com os pais vindo em segundo lugar, após a adoração a Deus, o Poderoso: “O teu Senhor decretou que não adoreis ninguém a não ser Ele, que sejais indulgentes com os vossos pais, mesmo que a velhice alcance a um deles ou a ambos, em vossa companhia: não os reproveis, nem os rejeiteis; outrossim, dirigi-lhes palavras honrosas. E estende sobre eles a asa da humildade e dizei: O Senhor meu, tenha misericórdia de ambos, como eles tiveram de mim, criando-me desde pequeno” (17:23/24).

O Alcorão em muitas outras partes dá ênfase especial para o grande papel da mãe que dá à luz e alimenta o filho: “E recomendamos ao homem benevolência para com os seus pais. Sua mãe o suporta entre dores e sua desmama é aos dois anos. Mostre gratidão a Mim e a seus pais” (31:14)

Este lugar muito especial para as mães no Islam, foi descrito eloqüentemente pelo Profeta: “Um homem perguntou ao Profeta: “A quem deve honrar mais?” O Profeta respondeu: “Sua mãe”. “E quem vem depois?” perguntou o homem. O Profeta respondeu: “Sua mãe”. “E quem vem depois?” perguntou o homem. O Profeta respondeu: “Sua mãe”. E que vem depois?”, perguntou o homem. O profeta respondeu: “Seu pai”. (Bukhari e Muslim).

Entre os poucos preceitos do Islam, que os muçulmanos ainda observam fervorosamente até os dias atuais, é o tratamento atencioso para com as mães. A honra que as mães muçulmanas recebem de seus filhos e filhas é exemplar. As relações afetuosas entre as mães muçulmanas e seus filhos, e o profundo respeito com que os homens se aproximam de suas mães, deixa os ocidentais espantados (43).

Poligamia

Passemos agora para a importante questão sobre a poligamia. A poligamia é uma prática muito antiga, encontrada em muitas sociedades humanas. A Bíblia não condenou a poligamia. Pelo contrário, o Velho Testamento e os escritos rabínicos freqüentemente atestam a legalidade da poligamia. Dizem que o Rei Salomão teve 700 esposas e 300 concubinas (Reis 11:3).

Também o Rei Davi teve muitas esposas e concubinas (2 Samuel 5:13). O Velho Testamento tem algumas injunções em como distribuir a propriedade de um homem entre seus filhos de diferentes mulheres (Deuteronômio 22:7). A única restrição com relação à poligamia é a proibição de tomar uma irmã da esposa como uma esposa rival (Levítico 18:18). O Talmud aconselha a um máximo de 4 esposas (51). Os judeus europeus continuaram a praticar a poligamia até o século XVI.

Os judeus orientais praticavam a poligamia regularmente até a chegada a Israel, onde ela foi proibida por lei. Contudo, na lei religiosa, que sobrepuja a lei civil em tais casos, a poligamia é permitida (52).

E com relação ao Novo Testamento? De acordo com o padre Eugene Hilman, em seu penetrante livro, a Poligamia é reconsiderada, “Em parte alguma do Novo Testamento há uma orientação expressa de que o casamento deve ser monogâmico ou qualquer orientação que proíba a poligamia”. (53). Além disso, Jesus não falou contra a poligamia, embora ela fosse praticada pelos judeus de sua época. O padre Hillman chama a atenção para o fato de que a Igreja de Roma proibiu a poligamia, a fim de se adequar à cultura Greco-romana (que prescrevia somente uma esposa legal, enquanto que tolerava o concubinato e a prostituição). Ele citou Santo Agostinho, “Agora, em nosso tempo, e de acordo com o costume romano, não é mais permitido tomar uma outra esposa” (54). As igrejas africanas e os cristãos africanos muitas vezes lembram a seus irmãos europeus que a proibição da poligamia é mais uma tradição cultural do que uma autêntica injunção cristã.

O Alcorão também permitiu a poligamia, mas não sem algumas restrições: “Se vós temeis não serdes capazes de conviver justamente com os órfãos, casai com mulheres de sua escolha, 2 ou 3 ou 4 vezes; mas se temerdes que não sereis capazes de conviver justamente com elas, então casai somente com uma” (4:13). O Alcorão, ao contrário da Bíblia, limitou o número de esposas a 4, sob a estrita condição de que as esposas sejam tratadas igualmente. Isto não deve ser entendido como uma exortação a que os crentes pratiquem a poligamia, ou que a poligamia é considerada como um ideal. Em outras palavras, o Alcorão “tolera” ou “permite” a poligamia, e não mais, mas por que? Por que a poligamia é permitida? A resposta é simples: há lugares e épocas em que razões morais e sociais compelem para a poligamia. Como os versos do Alcorão acima indicam, a questão da poligamia no Islam não pode ser entendida como parte das obrigações da comunidade com relação aos órfãos e viúvas. O Islam, como uma religião universal, aplicável para todos os lugares e tempos, não poderia ignorar essas pressões.

Em muitas sociedades humanas, as mulheres superam os homens em quantidade. Em um país como a Guiné, há 122 mulheres para cada 100 homens. Na Tanzânia, há 95,1 homens para 100 mulheres (55). O que uma sociedade deve fazer para resolver esse desequilíbrio? Existem várias soluções, e alguns podem sugerir o celibato, outros preferem o infanticídio feminino (que ainda acontece no mundo de hoje em alguns lugares). Outros, ainda, podem achar que a única saída é a sociedade tolerar todas as formas de permissividade sexual: prostituição, sexo fora do casamento, homossexualismo, etc. Para outras sociedades, como a maior parte das sociedades africanas de hoje, a saída mais honrosa é permitir o casamento poligâmico, como uma instituição culturalmente aceita e socialmente respeitada. A questão, que é muitas vezes incompreendida no ocidente, é que muitas mulheres de outras culturas necessariamente não vêm a poligamia como um sinal de degradação da mulher. Por exemplo, muitas jovens noivas africanas, sejam cristãs ou muçulmanas, prefeririam se casar com um homem casado, que tenha provado a ele mesmo, ser um marido responsável.

Muitas esposas africanas persuadem seus maridos a tomar uma segunda esposa e assim eles não se sentem sozinhos (56).

Uma pesquisa realizada na segunda maior cidade da Nigéria com 600 mulheres, com idades entre 15 e 59 anos, mostrou que 60% dessas mulheres não se importariam que seus maridos tivessem uma outra esposa. Somente 23% expressaram raiva ante a idéia de dividirem seus maridos com outras mulheres. 76% das mulheres que se manifestaram numa pesquisa realizada no Quênia, viram a poligamia positivamente. Em outra pesquisa realizada no campo, 25 de 27 mulheres consideraram a poligamia melhor do que a monogamia.

Estas mulheres sentiram que a poligamia pode ser uma experiência feliz e benéfica se as co-esposas cooperarem umas com as outras (57). A poligamia, na maior parte das sociedades africanas é uma instituição tão respeitada, que algumas igrejas protestantes começaram a tolerá-la, “Embora a monogamia possa ser ideal para a expressão do amor entre o marido e a esposa, a igreja deve considerar que em certas culturas a poligamia é socialmente aceitável e que a crença de que a poligamia é contrária ao cristianismo não se sustenta por muito tempo”. (58) Depois de um cuidadoso estudo sobre a poligamia africana,

o Reverendo David Gitari, da Igreja Anglicana, concluiu que a poligamia, como idealmente praticada, é mais cristã do que o divórcio e o novo casamento, porque há uma preocupação com as esposas e crianças abandonadas. (59) Eu pessoalmente conheço algumas esposas africanas, finamente educadas, que apesar de terem vivido no Ocidente por muitos anos, não fazem qualquer objeção à poligamia. Uma delas, que mora nos USA, solenemente estimula seu marido a tomar uma segunda esposa para ajudá-la na criação das crianças.

O problema do desequilíbrio entre os sexos começa na verdade nos problemáticos tempos de guerra. Os índios nativos americanos costumavam sofrer com essa desigualdade de número entre homens e mulheres, principalmente após as perdas dos tempos de guerra. As mulheres dessas tribos, que na verdade desfrutavam de uma alta posição, aceitavam a poligamia como a melhor proteção contra a tolerância por atividades indecentes. Os colonos europeus, sem oferecerem qualquer outra alternativa, condenavam a poligamia indiana como “incivilizada” (60).

Após a segunda guerra mundial, havia na Alemanha 7.300.000 mais mulheres do que homens (3.3 milhões delas eram viúvas).

Havia 100 homens na idade de 20 a 30 anos para cada 167 mulheres naquele mesmo grupo de idade. (6l) Muitas dessas mulheres necessitavam de um homem, não apenas como uma companhia mas, também, como um mantenedor para a casa, num tempo de miséria e injustiça sem precedentes. Os soldados do exército aliado vitorioso exploravam a vulnerabilidade dessas mulheres. Muitas jovens e viúvas tinham ligações com membros das forças de ocupação. Muitos soldados americanos e britânicos pagavam por seus prazeres com cigarros, chocolates e pães. As crianças ficavam felizes com os presentes que os estrangeiros traziam. Um menino de 10 anos, vendo esses presentes com outras crianças, desejava ardentemente um “inglês” para a sua mãe e assim, ela não precisaria passar fome por tanto tempo (62). Devemos perguntar para nossa consciência sobre esta questão: O que dignifica mais uma mulher? Uma segunda esposa, aceita e respeitada, ou uma prostituta virtual, como no caso da abordagem “civilizada” das forças aliadas na Alemanha? Em outras palavras, o que dignifica mais uma mulher, a prescrição alcorâmica ou a teologia baseada na cultura do império romano?

É interessante notar que, em uma conferência da juventude internacional, acontecida em Munique, em 1948, o problema alemão do desequilíbrio no número de homens e mulheres foi discutido. Quando ficou claro que não havia solução consensual, alguns participantes sugeriram a poligamia. A reação inicial da reunião foi uma mistura de choque e repugnância. Contudo, após um estudo cuidadoso da proposta, os participantes concordaram que a poligamia era a única solução possível.

Consequentemente, a poligamia estava incluída entre as recomendações finais da conferência. (63)

Atualmente o mundo possui mais armas de destruição em massa do que jamais houve em qualquer tempo e as igrejas européias podem, mais cedo ou mais tarde, se verem obrigadas a aceitar a poligamia como o único caminho. O Padre Hillman, após muito pensar, admitiu este fato, “É quase conceptível que aquelas técnicas genocidas (nuclear, biológica, química…) podem produzir um desequilíbrio tão drástico entre os sexos que o casamento plural poderia ser um meio necessário de sobrevivência… Em tal situação, os teólogos e os líderes das igrejas deveriam rapidamente produzir razões importantes e textos bíblicos que justifiquem um novo conceito de casamento”. (64)

Nos dias atuais, a poligamia continua a ser a solução viável para alguns males das sociedades modernas. As obrigações comunitárias a que o Alcorão se refere, juntamente com a permissão da poligamia, são mais perceptíveis atualmente nas sociedades ocidentais do que na África. Por exemplo, nos USA de hoje, há uma séria crise de na comunidade negra. Um em cada 20 jovens rapazes negros podem morrer antes de atingirem a idade de 2l anos. Para aqueles que estão entre os 20 e 35 anos, o homicídio lidera a causa da morte (65). Além disso, muitos rapazes negros estão desempregados, na prisão ou são viciados (66). Como conseqüência, um em 4 mulheres negras, na idade de 40 anos, nunca se casaram, enquanto que este número é de 1 para 10 mulheres brancas (67). Além disso, muitas jovens negras se tornam mães solteiras antes dos 20 anos e se encontram na situação de serem mantidas. O resultado final dessas trágicas circunstância é que há um aumento no número de mulheres negras comprometidas com “homem-partilhado” (68). Isto é, muitas dessas infelizes mulheres negras solteiras estão envolvidas em casos com homens casados. As esposas muitas vezes não têm consciência do fato de que outras mulheres estão dividindo seus maridos com elas. Alguns observadores da crise do “homem-partilhado” na comunidade Africana na América têm recomendado a poligamia consensual, como uma resposta temporária para a diminuição do número de homens negros, até que reformas mais abrangentes na sociedade americana sejam tomadas (69). Esses observadores entendem poligamia consensual como a poligamia sancionada pela comunidade e na qual todas as partes envolvidas concordem, em oposição ao segredo dos casos com homens casados, os quais sempre prejudicam tanto a esposa como a comunidade em geral.

O problema do “homem-partilhado” na comunidade africana na América foi tópico de discussão em um painel realizado na Universidade de Temple, na Filadélfia, em 27.01.93 (70). Alguns dos palestrantes recomendaram a poligamia como um remédio potencial para a crise. Eles também sugeriram que a poligamia não podia ser banida por lei, particularmente em uma sociedade que tolera a prostituição e as concubinas. O comentário de uma das mulheres participantes, de que os negros americanos precisavam aprender com a África, onde a poligamia era praticada responsavelmente, conseguiu entusiásticos aplausos.

Philip Kilbride, um antropólogo americano, de tradição católica romana, em seu livro provocativo, Casamento Plural para o Nosso Tempo, propõe a poligamia como solução para alguns dos males da sociedade americana. Ele argumenta que o casamento plural pode servir como uma alternativa potencial para o divórcio em muitos casos,a fim de eliminar o impacto danoso do divórcio sobre as crianças. Ele afirma que muitos divórcios foram causados pelo excessivo número de casos extraconjugais ocorridos na sociedade americana. De acordo com Kilbride, transformar um caso extraconjugal em um casamento poligâmico, ao invés do divórcio, é melhor para as crianças. Além disso, ele sugere que outros grupos também se beneficiarão do casamento plural, tais como: mulheres mais velhas, que enfrentam uma crônica diminuição de homens e os negros americanos que estão envolvidos com o “homem-partilhado”. (7l)

Em 1987, uma votação conduzida por um estudante de jornalismo da Universidade de Berkeley, perguntava aos estudantes se eles concordavam em que os homens poderiam ser autorizados, por lei, a terem mais de uma esposa, tendo em vista a visível diminuição do número de candidatos masculinos para o casamento na Califórnia. Quase todos os votantes aprovaram a idéia.

Uma estudante chegou a declarar que o casamento poligâmico preencheria suas necessidades físicas e emocionais, porque lhe daria maior liberdade do que uma união monogâmica (72). Na verdade, o mesmo argumento foi usado por alguns poucos remanescentes das mulheres fundamentalistas Mormom, que ainda praticam a poligamia nos USA.

Elas acreditam que a poligamia é um caminho ideal para a mulher ter, tanto profissão como crianças, uma vez que as esposas se ajudam umas às outras no cuidado com os filhos.

Deve-se acrescentar que a poligamia no Islam é questão de consenso mútuo. Ninguém pode forçar a mulher a se casar com um homem casado. Além disso, a esposa tem o direito de estipular que seu marido não deve se casar com outra mulher (74).

A Bíblia, pôr outro lado, algumas vezes vale-se da poligamia forçada. Uma viúva sem filhos deve se casar com o seu cunhado, mesmo que ele já seja casado (ver a seção “A condição das Viúvas”) e independente de seu consentimento (Gênesis 38:8/10).

Deve-se notar que, em muitas sociedades muçulmanas de hoje, a prática da poligamia é rara, uma vez que a diferença entre os sexos não é grande. Pode-se dizer que o número de casamentos poligâmicos no mundo muçulmano é muito menor do que o de casos extraconjugais no ocidente. Em outras palavras, os homens no mundo muçulmano são muito mais monogâmicos do que os homens no mundo ocidental.

Billy Grahan, o eminente evangélico cristão, reconheceu este fato: “O cristianismo não pode se comprometer com a questão da poligamia. Se hoje o cristianismo não pode fazer isso, é em seu próprio detrimento. O Islam permitiu a poligamia como uma solução para os males sociais e reconheceu um certo grau de latitude da natureza humana, mas, somente dentro da estrutura estritamente definida na lei.

Os países cristãos fazem um estardalhaço sobre a monogamia, mas, na verdade, eles praticam a poligamia. Ninguém ignora a existência das amantes na sociedade ocidental. A esse respeito, o Islam é fundamentalmente uma religião honesta, que permite a um muçulmano se casar uma segunda vez se ele precisa, mas proíbe rigorosamente todas as associações clandestinas, a fim de salvaguardar a probidade moral da comunidade”. (75)

Releva notar que muitos países no mundo de hoje, muçulmanos ou não, proibiram a poligamia. Tomar uma segunda esposa, ainda que com o livre consentimento da primeira, é uma violação da lei. Por outro lado, trair a esposa, com ou sem o seu conhecimento e/ou consentimento, é perfeitamente legítimada. Qual é a sabedoria legal por detrás de tal contradição? A lei foi feita para premiar a decepção e punir a honestidade? Este é um dos paradoxos fantásticos de nosso mundo “civilizado”.

Hijab

Finalmente, vamos esclarecer o que é considerado no ocidente como o maior símbolo de opressão e servidão da mulher, o véu, ou a cabeça coberta. É verdade que não existe algo como o véu na tradição judaico-cristão ? Façamos o registro correto.

De acordo com o Rabino Dr. Menachem M. Brayer (Professor de Literatura Bíblica na Universidade de Yeshiva) em seu livro, A Mulher Judia na Literatura Rabínica, era um costume judeu a mulher ir aos lugares públicos com a cabeça coberta, e, em alguns casos, com todo o rosto coberto, deixando apenas um olho de fora (76). Ele cita alguns famosos ditos rabinícos antigos, “Não é bom para as filhas de Israel andarem na rua com suas cabeças descobertas” e “Amaldiçoado seja o homem que permite que o cabelo de sua esposa seja visto… uma mulher que expõe seus cabelos como adorno traz a pobreza”. A lei

rabínica proibe a recitação de bênçãos e orações na presença de mulheres casadas com a cabeça descoberta, uma vez que o cabelo é considerado “nudez” (77). O Dr. Brayer também menciona que “Durante o período Tannaitic a mulher judia com sua cabeça descoberta era considerada uma afronta à sua modéstia. Quando sua cabeça estava descoberta ela podia ser multada em 400 zuzim por esta ofensa”. O Dr. Brayer também explica que o véu da mulher judia nem sempre era considerado como um sinal de modéstia. Algumas vezes, o véu simbolizava mais um estado de distinção e de luxúria do que modéstia. O véu personificava a dignidade e superioridade das mulheres nobres. Também podia representar a inacessibilidade da mulher, como posse santificada de seu marido (78),

O véu significava o auto-respeito de uma mulher e um status social. As mulheres das classes mais baixas vestiam o véu para dar a impressão de uma posição mais elevada. O fato de o véu significar sinal de nobreza foi a razão de não se permitir às prostitutas cobrirem seus cabelos, na antiga sociedade judaica. Contudo, as prostitutas muitas vezes usavam um lenço especial, a fim de parecerem respeitáveis (79). As mulheres judias na Europa continuaram a usar o véu até o século XIX, quando suas vidas se tornaram interrelacionadas com o meio cultural. As pressões externas da vida européia no século XIX, obrigaram as mulheres a saírem com as cabeças descobertas. Algumas judias achavam mais conveniente substituir o tradicional véu por peruca, como uma outra forma de cobrir a cabeça. Atualmente, muitas mulheres judias piedosas não cobrem mais suas cabeças, exceto quando se encontram nas sinagogas (80). Algumas delas, tais como as da citada Hasidic, ainda usam peruca (81).

O que dizer a respeito da tradição cristã? É sabido que as freitas católicas usaram suas cabeças cobertas for centenas de anos, mas isto não é tudo. São Paulo, no Novo Testamento, fez algumas declarações muito interessantes a respeito do véu: “Agora eu quero que vocês percebam que a cabeça de cada homem é o Cristo e a cabeça da mulher é o homem e a cabeça do Cristo é Deus. Cada homem que reza ou vaticina com a cabeça coberta desonra a sua cabeça. Cada mulher que ora ou vaticina com a cabeça descoberta desonra sua cabeça – é como se sua cabeça estivesse raspada. Se a mulher não cobrir sua cabeça, ela deve ter os seus cabelos cortados: e para não cair na desgraça de ter os cabelos cortados ou raspados ela deve cobri-la. Um homem não deve cobrir sua cabeça uma vez que ele é a imagem e glória de Deus; mas a mullher é oriunda do homem; o homem não foi criado da mulher, mas a mulher foi criado do homem. Por esta razão, e por causa dos anjos, a mulher deve ter um símbolo da autoridade sobre sua cabeça” (I Coríntios 11:3/10.

As razões apresentadas por São Paulo, para que a mulher se cubra, é que o véu significa um sinal de autoridade do homem, o qual é a imagem e glória de Deus sobre a mulher, que foi criada dele e para ele. São Tertuliano, em seu famoso tratado “Sobre o véu das virgens”, escreveu “jovens mulheres, vocês se cobrem quando nas ruas, assim, vocês devem se cobrir quando na igreja, vocês se cobrem quando estão entre pessoas estranhas, portanto vocês devem se cobrir quando estiverem entre seus irmãos…” Entre as leis canônicas da Igreja Católica de hoje, há uma lei que exige que as mulheres cubram suas cabeças quando estiverem na igreja (82). Algumas denominações cristãs, tais como os Amish e os Menonitas, por exemplo, mantêm suas mulheres cobertas até hoje. A razão para o véu, conforme explicado pelos líderes da Igreja, é que “a cabeça coberta é um símbolo da sujeição feminina ao homem e a Deus”, o que, no final, significa a mesma lógica apresentada por São Paulo no Novo Testamento (83).

De todas as evidências acima, é óbvio que o Islam não inventou a cabeça coberta. Contudo, o Islam endossa a tese. O Alcorão obriga homens e mulheres a baixarem seus olhos e guardarem suas modéstias e, com relação às mulheres, determina que suas cabeças sejam cobertas, além do pescoço e seios: “Diga às crentes que elas devem baixar seus olhos e guardar sua modéstia; que elas não devem exibir sua beleza e adornos, exceto o que comumente aparece; que elas devem puxar seus véus sobre os seios… ” (24:30/3l)

O Alcorão é bem claro no que se refere ao véu como essencial para a modéstia. Mas, por que a modéstia é importante? O Alcorão é ainda mais claro: “Ó Profeta, dize às tuas esposas e filhas, e às crentes, que elas devem se cobrir com suas mantas (quando na rua) a fim de que elas se distingam das demais e não sejam molestadas” (33:59). Esta é a questão principal, a modéstia é prescrita para proteger as mulheres de serem molestadas, isto é, a modéstia é proteção.

Assim, a única proposta do véu no Islam é a proteção. O véu islâmico, diferentemente do véu na tradição cristã, não é sinal da autoridade do homem sobre a mulher, nem é um sinal de sua sujeição ao homem. O véu islâmico, diferentemente da tradição judaica, não é um sinal de luxúria ou de distinção de algumas mulheres casadas nobres. O véu islâmico é simplesmente um sinal de modéstia, com a proposta de proteger as mulheres, todas as mulheres. A filosofia islâmica é que é sempre melhor prevenir do que remediar. Realmente, o Alcorão é tão preocupado com a proteção dos corpos das mulheres e sua reputação, que um homem que se atrever a acusar falsamente uma mulher de não ser casta, será severamente punido: “E aqueles que difamarem as mulheres castas, sem apresentarem 4 testemunhas, infligí-lhes oitenta chibatadas e nunca mais aceiteis os seus testemunhos por que tais homens são transgressores”.

Compare-se esta posição alcorâmica com a punição extremamente branda da Bíblia para os casos de estupro: Se um homem encontra uma virgem, que está na condição de casar e a estupra e eles são descobertos, ele deve pagar ao pais da moça 50 shekels de prata. Ele deve se casar com a moça por que ele a violou. Ele não poderá nunca se divorciar dela enquanto viver (Deuteronômio 22:38/30). Podemos simplesmente perguntar: Quem é punido realmente? O homem que somente pagou uma multa pelo estupro ou a moça que se viu forçada a se casar com o homem que a violentou e a ficar com ele até que ele morra?

Outra questão que se apresenta é: quem protege mais as mulheres, o Alcorão com sua postura rigorosa, ou a Bíblia com sua posição mais branda?

Algumas pessoas, sobretudo no ocidente, têm uma tendência a ridicularizar a argumentação da modéstia para proteção. Elas dizem que a melhor proteção é divulgar a educação, o comportamento civilizado e o auto-controle. E nós dizemos: ótimo, mas insuficiente. Se o processo de civilização fosse suficiente, então por que mulheres nos USA não se atrevem a andar sozinhas em ruas escuras, ou mesmo a cruzar um parque vazio? Se a Educação fosse a solução, então por que é que uma respeitada universidade como a de Queens tem um serviço de condução principalmente para as estudantes no campus? Se o auto-controle fosse a resposta, então por que tantos casos de molestamento sexual acontecem em locais de trabalho, como relatados nos jornais a cada dia? Em uma amostra sobre os molestadores, nos últimos anos, encontramos: marinheiros, diretores, professores universitários, senadores, juízes da Suprema Corte e até o Presidente dos Estdos Unidos. Eu não posso acreditar em meus olhos, quando leio sobre as seguintes estatísticas, elaboradas pelo escritório das mulheres decanas da Universidade de Queens:

* No Canadá, uma mulher é atacada sexualmente a cada seis minutos;

* Uma, em cada três mulheres no Canada, serão sexualmente assaltadas em alguma época de suas vidas;

* 1 em 4 mulheres correm o risco de serem estupradas alguma vez;

* 1 em 8 mulheres serão atacadas sexualmente enquanto estiverem no colégio ou universidade; e

* Um estudo concluiu que 60% dos estudantes universitários canadenses cometeriam algum tipo de violência sexual se eles estivessem seguros de não serem descobertos.

Alguma coisa está fundamentalmente errada na sociedade em que vivemos. Uma mudança radical no modo de vida e na cultura da sociedade se faz absolutamente necessária. Uma cultura de modéstia é necessária, modéstia no vestir, no falar e nos modos, tanto de homens como de mulheres. Caso contrário, as terríveis estatísticas continuarão a crescer e, infelizmente, as mulheres, sozinhas, pagarão o preço. Realmente, nós todos sofremos, mas K. Gibran disse “… porque a pessoa que recebe os golpes não é como a que se encontra entre elas” (84). Logo, uma sociedade como a francesa, que expulsa uma jovem de sua escola por causa de suas roupas, acaba, no final, por, simplesmente, se ferir a si mesma.

Uma das maiores ironias de nosso mundo atual é que, o mesmo véu que é reverenciado como sinal de “santidade”, quando usado pelas freiras católicas como forma de exibir a autoridade do homem, é mostrado como forma de “opressão” quando vestido com o objetivo de proteger a mulher muçulmana.

“Fundamentalismo”, Como Entendido no Ocidente, é um Conceito Estranho ao Islam

Em um mundo repleto de tensões, envolvimentos em conflitos, padrões duplos e julgamentos apressados, fica difícil propor critérios específicos com relação aos vários problemas intelectuais que ocorrem e estudá-los cuidadosa e imparcialmente. Um termo problemático, por exemplo, é “fundamentalismo” islâmico (ou muçulmano), uma palavra que carrega em si, conotações cristãs e uma associação com o conflito entre a Igreja e outras filosofias durante o século XVII. O objetivo deste conflito, existente há longo tempo, foi vencer o argumento intelectual e religioso daquele tempo e assentar o violento choque entre o poder temporal e religioso na Europa. O resultado foi o triunfo do poder temporal e a limitação e redução do papel e influência da Igreja.

Para a mente ocidental, fundamentalismo significa uma rejeição à modernização e ao novo, acoplado a uma mentalidade dogmática. Mais comumente, representa uma atitude psicológica e mental oposta à ciência e à reforma. Esta impressão surgiu quando o fundamentalismo cristão era visto como se opondo à ciência e à inovação e perseguindo cientistas e intelectuais, com base em acusações frágeis, argumentos falsos e princípios dogmáticos irracionais. A Igreja impôs um regime intelectual brutal que incapacitava a mente e todo o esforço intelectual e científico. A Religião se tornou monopólio da Igreja, elevando o clero humano à condição divina e forçando homens a um sistema desumano de celibato, advogando idéias e opiniões sem base na lógica e no senso comum. A Igreja interferia em todos os assuntos científicos, concedia indulgência aos pecadores e instituiu e conduziu a Inquisição. A expansão deste estilo ocidental de “fundamentalismo” levou ao surgimento de filosofias e movimentos contra a Igreja, tais como a Reforma e o Iluminismo. Ao se opor à pesquisa científica e à invenção, e perseguir cientistas e intelectuais, a Igreja distorceu e minou os verdadeiros fundamentos da religião, relegando-a a um monte de dogmas e mitos.

Esta forte reação contra a Igreja, contribuiu para o alargamento do fosso entre a religião e a ciência, não somente por razões meramente científicas, mas, também, psicológicas e filosóficas. A Igreja, de sua parte, procurou representar todas as religiões e isto levou a uma distorção das noções religiosas independentemente de seu conteúdo, idéias ou princípios.

Contudo, apesar das diferenças mínimas no significado do termo “fundamentalismo”, no Ocidente e no Islam, o pensamento ocidental permanece prisioneiro de sua experiência histórica e de seu longo conflito com o fundamentalismo cristão. É esta visão paroquial que o Ocidente está tentando, agora, aplicar ao Islam, admitindo uma atitude da Igreja com relação ao poder temporal no Ocidente. Isto, é claro, não tem base na verdade ou na realidade, porque o “fundamentalismo”, de acordo com o Islam, é o exato oposto ao daquele existente no Ocidente. Muitos pensadores ocidentais estão, na verdade, conscientes disto, mas eles escolheram ignorar o fato por muitas razões, inclusive por causa da profunda hostilidade ao Islam e da sua imagem distorcida, promovida por orientalistas de várias gerações e, mais recentemente, em razão das alegações de que, com a queda do comunismo, o Islam emergiu como um novo inimigo. Os escritos de Samuel Huntington são típicos desta tendência.

Consequentemente, o Ocidente tem muito da responsabilidade por fortalecer o entendimento do “fundamentalismo islâmico” como nos mesmos moldes do fundamentalismo cristão do século XVIII. O orientalista alemão, Redolf Peters, escreve: “É necessário criticar nossa imprensa porque ela vai longe para vender um falso conceito, repetindo o entusiasmo excessivo visto durante a Guerra Fria, em relação ao inimigo presumido. A imprensa usa o fundamentalismo para atrair leitores porque, por um lado adota a violência e o terrorismo e, por outro, discorda. No conflito com o Ocidente os jornalistas podem ter boas intenções, mas, não podemos nos esquecer de que aqueles mais próximos dos círculos políticos têm um capital investido na manipulação e condução da opinião pública.

“Mesmo jornalistas objetivos, encaram obstáculos profissionais quando cobrem assuntos islâmicos. Os editores estão depois das notícias e, qualquer esclarecimento ou comentário moderado, não são considerados notícia e não atrai leitores!”

Este é, sem dúvida, um problema de abordagem e uma “crise de objetividade” que está acontecendo no Ocidente, o qual, solidamente democrático e liberal como o é, deve permitir considerações mais leves e visão mais realista de tal fenômeno. É claro que toda experiência humana tem seu passado, suas raízes e suas causas, e deve, portanto, ser tratada em profundidade; caso contrário, todo o problema se transforma em crise, sem solução sob qualquer ângulo.

Este recuo do “impasse da objetividade”, como Borhan Ghalioun chama, refletiu-se no trabalho do orientalista francês, Maxime Rodinson, intitulado “A Fascinação do Islam”, no qual ele aponta como, a partir do século XVII, o Islam, diferentemente do cristianismo, foi visto no Ocidente como o epítome da tolerância e razão. O Ocidente ficou fascinado pela ênfase do Islam no equilíbrio entre a adoração e as necessidades da vida, e entre a necessidades morais e éticas e as necessidades corporais, e entre o respeito ao indivíduo e a ênfase sobre o bem-estar social.

Em seu confronto com o cristianismo, intelectuais ocidentais salientaram o papel reformista do Islam e a racionalidade de suas crenças religiosas. Mas, como Dr. Ghalioun diz, foi somente a partir da segunda metade do século XIX, que os europeus começaram a olhar para o cristianismo como uma força de progresso e conquista na Europa e para o Islam como uma causa de estagnação e retrocesso no mundo arábico-islâmico. Em lugar de usar o Islam como um modelo para uma religião civilizada e racional em sua luta contra o cristianismo “bárbaro e fanático”, o panorama modificou-se completamente para projetar o

Islam como um epítome de barbarismo que ameaçava o Ocidente. A impressão que cresceu é que a Europa é o berço da civilização e que qualquer um que se oponha a ela é hostil à civilização e que o Islam, como uma cultura, civilização e uma sociedade é o principal, mas não o único, obstáculo que impede a expansão do Ocidente em direção ao sul e a outros continentes e culturas. Lá emergiu uma necessidade por uma ideologia que galvanizasse a hostilidade em relação ao Islam e que a justificasse para os europeus e o mundo como um todo.

Deste entendimento rígido, veio o “fundamentalismo secularista” no Ocidente, que aceita somente suas próprias proposições e idéias. Deve-se dizer que, quando o Ocidente se voltou contra a Igreja, ele a despiu de todo seu autoritarismo e desalojou-a da posição proeminente que ocupava na sociedade. No entanto, não abandonou completamente as aspirações papais e a disputa de que a Europa central seja o coração da civilização humana e da história. Nem abandonou o desejo de eliminar “o outro”, ou marginalizá-lo intelectual e culturalmente, e criar uma memória histórica mais recente, baseada no “ego” e na distinção do Ocidente sobre o resto; mental, cultural e etnicamente. Esta mentalidade persistiu, mesmo após a queda do poder papal e a emergência do secularismo.

Diz o Dr. Muhammad Abid al-Jabiri: “Cometeríamos um erro se pensássemos que o Ocidente está completamente livre de sua bagagem cultural e religiosa, racional e pragmática, porque se esta atitude está ainda ativa nas mentes fanáticas e na Igreja, por toda a Europa e América, ela é evidente nos elementos . . . seculares e liberais. Esta herança cultural e religiosa continua a influenciar os jornalistas locais e os políticos que se encontram entre os liberas e secularistas.” (A Questão da Identidade)

Em sua rivalidade com a Igreja, sobre a influência e o status social na sociedade européia, o secularismo tem buscado reviver a autoridade do clero, pela distinção e dominação, através da reivindicação da “globalização” e da singularidade do Ocidente, como também do ponto de vista dos próprios filósofos. Eles estimularam o colonialismo. Este padrão duplo sobre parte do secularismo no Ocidente, tem, na mente de alguns, minado a credibilidade de suas alegações com relação à liberdade, tolerância e pluralismo democrático dos outros. Contudo, isto ainda não foi materializado de uma forma adequada.

Não é coincidência, mas antes conformidade intelectual, como Roger Garaudy se refere, que o maior campeão desta escola secularista, Julies Ferry, tenha sido também o maior incentivador da invasão colonialista de Madagascar, Tunísia e Vietnam. Ele era o teórico francês mais ardente do colonialismo, da mesma forma que John Stuart Mill o era na Inglaterra, e um estudante do positivismo de Auguste Comte. Em seu discurso no Parlamento, em 27.07.1885, ele declarou: “Na verdade, nós sustentamos a política de expansão colonial, baseada em um sistema que consiste em três pilares: econômico, humano e político.” Ele também disse: “Eu não devo hesitar em declarar que isto não é nem política nem história, mas metafísica política.

Deve ser dito, em voz alta e com a maior franqueza, que as raças mais elevadas têm um direito prático sobre as raças inferiores. (Fundamentalismos Contemporâneos)

Este “secularismo” seletivo produziu um tendência filosófica conhecida como “globalismo”, baseada no monopólio da ciência e civilização e no isolamento dos outros que se oponham a seus dogmas ou, como o Professor Robert Solomons coloca, “a cultura da dominação”. Isto induziu o cientista inglês, Richard Webster a imaginar se é um processo retrógrado com vínculo coletivo, através do qual uma cultura velha espera reviver um pouco de sua infância; ou se é uma condição que permitiu ao secularismo deixar cair sua máscara de racionalidade, a fim de revelar sua verdadeira identidade, a qual, no fundo do coração, é uma identidade religiosa. Webster acrescenta: “Uma vez compreendida melhor nossa herança religiosa, começamos a duvidar se o secularismo, apesar da frustração da herança judaico-cristã, provou, de fato, sua superioridade. O que eu imaginaria é que se os valores religiosos não desempenham um papel importante na sociedade secular, isto não significa que ela os tenha abandonado ou marginalizado, mas seria a prova de sua penetração na mente do indivíduo e em nossa identidade secular, a um grau que não temos necessidade de mostrar externamente”!! (Seminário sobre “Secularismo” – Londres, 1994)

O problema é, portanto, mais do que uma visão ingênua superficial ou emocional, e a proposição dupla em relação ao Islam estanca um passado, determinando que o estudante perca os critérios de exatidão e credibilidade. Quando vem o “fundamentalismo”, apesar das claras diferenças de entendimento do termo, o Ocidente continua a insistir em descrever o Islam como um fundamentalista e ligando a expressão ao velho conceito eclesiástico cristão. Fundamentalismo no Islam, significa adesão ao modo de comportamento e aos valores de sua primeira geração, como compreendido e definido pelos primeiros muçulmanos através da ijtihad e da análise de suas regras e ensinamentos. No Ocidente, contudo, fundamentalismo denota rigidez dogmática, oposto à ciência, inovações e modernização, uma atitude que é denunciada pelo Islam.

O Ocidente também tenta ligar o fenômeno contemporâneo da violência, do extremismo e do terrorismo com as origens do Islam e sua natureza interior, o que não é correto. O Islam e seus métodos legislativos rejeitam a violência, o terrorismo e o extremismo, independentemente das razões que estejam por trás deles. Não é exagero dizer que o fenômeno moderno da violência é parcialmente devido à injustiça no Ocidente e aos padrões duplos, porque justiça e imparcialidade são os primeiros requisitos para a erradicação da violência e do extremismo. O Alcorão diz: “Não permita que seu ódio às pessoas o torne injusto. Seja amável; é o mais próximo de ser verdadeiramente consciente de Deus”. Do contrário, como Don Quixote, seríamos encaminhados para os moinhos de vento. Baseado nos trabalhos de Abdullah bin Ali al-‘Ulayyan.

Epílogo

A questão que se apresenta àqueles não mulçumanos, que leram uma versão inicial do presente estudo é: As mulheres muçulmanas no mundo de hoje recebem este nobre tratamento tal como descrito aqui? A resposta, infelizmente, é: Não. Uma vez que a questão é inevitável em qualquer discussão referente ao status da mulheres no Islam, temos que elaborar uma resposta, a fim de fornecer aos leitores um quadro completo.

Devemos esclarecer, primeiro, que as enormes diferenças entre as sociedades muçulmanas acabam por fazer generalizações muito simplistas. Há um vasto espectro de posturas em relação à mulher no mundo muçulmano atual. Estas posturas diferem de uma sociedade para outra e dentro de sociedade individual. Contudo, podemos discernir certos traços gerais. Quase todas as sociedades muçulmanas, em maior ou menor grau, desviaram-se dos ideais do Islam, com respeito ao status das mulheres.

Estes desvios, na maior parte, se direcionaram para uma ou duas direções. A primeira é mais conservadora, restritiva e orientada pelas tradições, enquanto que a segunda é mais liberal, orientada pelos costumes ocidentais.

As sociedades que se encaminharam para a primeira direção tratam as mulheres de acordo com os costumes e tradições herdados de seus ascendentes. Estas tradições, comumente, privam as mulheres de muitos direitos garantidos a elas pelo Islam. Além disso, as mulheres são tratadas de acordo com padrões diferentes daqueles aplicados aos homens. Esta discriminação penetra a vida de qualquer mulher: ela é recebida com menos alegria ao nascer do que um menino; ela é menos incentivada a ir para a escola; ela pode ser privada de qualquer participação na herança de sua família; ela está sob contínua vigilância com relação a sua modéstia, enquanto que os atos de imodéstia de seus irmãos são tolerados; ela pode até ser morta por cometer o que os membros masculinos de sua família comumente se vangloriam de praticar; ela tem pouca atuação nos assuntos familiares ou nos interesses comunitários; ela pode não ter o completo controle sobre suas posses e seus presentes de casamento; e, finalmente, como mãe, ela preferiria gerar filhos homens a fim de alcançar uma elevada posição em sua comunidade.

Por outro lado, há sociedades muçulmanas (ou certas classes dentro de algumas sociedades) que foram varridas pela cultura e modo de vida do ocidente. Estas sociedades, muitas vezes, imitam, de forma inimaginável, tudo o que receberam do ocidente e, finalmente, acabam por adotar os piores frutos da civilização ocidental. Nestas sociedades, a prioridade máxima na vida de uma típica mulher “moderna” é realçar sua beleza física. Em razão disso, seu esforço é mais para compreender sua feminilidade do que preencher sua humanidade.

Por que as sociedades muçulmanas se desviaram dos ideais do Islam? Não há uma resposta fácil. Uma explicação penetrante, das razões pelas quais muçulmanos não aderiram aos preceitos alcorânicos com relação às mulheres, está além do objetivo deste estudo. Contudo, deve ser esclarecido que as sociedades muçulmanas também se desviaram, há muito tempo, dos preceitos islâmicos concernentes a muitos aspectos de suas vidas. Há uma grande diferença entre o que os muçulmanos supõem acreditar e o que eles realmente praticam. Esta diferença não é um fenômeno recente. Tem sido assim por séculos e continuará aumentando dia após dia. Esta diferença sempre crescente tem tido consequências desastrosas sobre o mundo muçulmano e se manifestam em quase todos os aspectos da vida: tirania e fragmentação política, economia, injustiça social, falência científica, estagnação intelectual, etc. O status não islâmico das mulheres no mundo muçulmano atual é simplesmente um sintoma de doença mais profunda. Qualquer reforma no atual status das mulheres muçulmanas não terá sucesso se não for acompanhada de reformas mais amplas em todo o modo de vida das sociedades islâmicas. O mundo muçulmano está necessitando de um renascimento que o aproxime dos ideais do Islam e não que o afaste deles. Para resumir, a noção, hoje em dia, de que há um pobre status das mulheres muçulmanas se deve a uma total incompreensão. Os problemas dos muçulmanos

em geral não são devidos ao fato de eles estarem muito presos ao Islam. Na verdade, eles se originam exatamente por um longo e profundo afastamento do Islam.

Deve-se também enfatizar que a proposta deste estudo comparativo não é,em qualquer hipótese, difamar o judaismo ou o cristianismo. A posição das mulheres nas tradições judaico-cristãs podem parecer ameaçadoras, se comparada com nossos padrões de final de século XX, contudo, devem ser encaradas dentro de seu próprio contexto histórico. Em outras palavras, qualquer avaliação da posição das mulheres na tradição judaico-cristã tem que levar em conta as circunstâncias históricas nas quais essas tradições se desenvolveram. Não pode haver dúvida de que as opiniões dos rabinos e pastores da Igregja, em relação às mulheres, foram influenciadas por posturas prevalecentes em suas respectivas sociedades. A Bíblia mesmo foi escrita por diversos autores em diversas épocas. Estes autores não podiam ser imparciais aos valores e modo de vida das pessoas à volta deles. As leis do adultério no Velho Testamento, por exemplo, eram tão desfavoráveis às mulheres que elas desafiam qualquer explicação racional por parte de nossa mentalidade. Contudo, se nós considerarmos o fato de que as primeiras tribos judias eram obsecadas pela sua homogeneidade genética e extremamente desejosas de se distinguirem das outras tribos e que somente a má conduta sexual das mulheres casadas podia ameaçar essas caras aspirações, nós podemos entender, mas não necessariamente nos simpatizarmos com elas, as razões de tal obsessão. Também, as ranzinzices dos padres da Igreja contra as mulheres não devem ser destacadas do contexto da misoginia da cultura greco-romana, na qual eles viviam. Não seria correto avaliar o legado judaico-cristão, sem levar em consideração o relevante contexto histórico.

De fato, a compreensão adequada do contexto histórico também é crucial para o entendimento do significado das contribuições do Islam para a história mundial e a civilização humana. A tradição judaico-cristão foi influenciada e moldada pelo meio ambiente, condições e culturas existentes à época. No século VII, esta influência distorceu a mensagem divina revelada a Moisés e Jesus, muito além do reconhecimento. O pobre status das mulheres no mundo judaico-cristão no séc. VII é apenas um caso em questão. Em razão disso, havia uma grande necessidade de uma nova mensagem, que levasse a humanidade de volta para o caminho reto. O Alcorão descreveu a missão do novo mensageiro como uma libertação para judeus e cristãos do peso que havia sobre eles: “São aqueles que seguem o Mensageiro, o Profeta iletrado, o qual encontram mencionado em suas próprias escrituras – Tora e Evangelho – o qual lhes recomenda todo o bem e lhes veda o que é mal; ele lhes alivia de seus pesados fardos e dos grilhões que estão sobre eles” (7:157)

Portanto, o Islam não deve ser visto como uma tradição rival para o judaísmo e cristianismo. Ele deve ser encarado como uma consumação, complementação e aperfeiçoamento das mensagens divinas que foram reveladas anteriormente.

Ao final desse estudo, gostaria de oferecer o seguinte conselho para a comunidade muçulmana global. Nega-se a muitas mulheres muçulmanas os direitos islâmicos básicos. Os erros do passado devem ser corrigidos. Fazer isto não é um favor, mas sim uma obrigação para todos os muçulmanos. A comunidade muçulmana mundial deve elaborar um quadro com as instruções do Alcorão e os ensinamentos do Profeta do Islam. Este quadro deve garantir a elas todos os direitos doados pelo Criador. Então, todos os meios necessários têm de ser desenvolvidos, a fim de assegurar a implementação adequada deste quadro, o qual se faz necessário há muito tempo. Mas, melhor tarde do que nunca. Se o mundo muçulmano não garantir os direitos islâmicos plenos a suas mães, esposas, irmãs, filhas, quem o fará?

Temos que ter a coragem de confrontar nosso passado e rejeitar completamente as tradições e costumes de nossos ascendentes, sempre que essas tradições e costumes se contraponham aos preceitos do Islam. O Alcorão não criticou severamente os árabes pagãos por seguirem cegamente as tradições de seus ancestrais? Por outro lado, temos que desenvolver uma atitude crítica em relação a tudo que recebemos do ocidente ou de qualquer outra cultura. A interação com e o aprendizado de, são experiências válidas. O Alcorão sucintamente considerou esta interação como uma das propostas da criação: “Oh! homens, em verdade Nós vos criamos de um único casal e vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros“ (49.13).

Pode-se dizer, contudo, que a imitação cega dos outros é um sinal certo de uma completa falta de auto-estima. Estas palavras finais são dedicadas aos leitores não muçulmanos, judeus, cristãos, ou quaisquer outros. É desorientador o fato de uma religião, que revolucionou o status da mulher, estar sendo tachada e denegrida como sendo uma religião que reprime a mulher.

Esta percepção sobre o Islam é um dos mitos mais difundidos em nosso mundo de hoje. Este mito está sendo perpetuado por uma enxurrada de livros sensacionalistas, artigos e imagens na mídia, e filmes de Hollywood. O resultado inevitável dessas incessantes imagens errôneas tem sido a incompreensão e o medo a tudo que se refere ao Islam. Este retrato negativo do Islam na mídia mundial tem que acabar se quisermos viver em um mundo livre de todos os traços de discriminação, preconceito e equívoco. Os não muçulmanos devem perceber a existência de uma imensa diferença entre a crença e a prática muçulmanas e o simples fato de que as ações dos muçulmanos não representam necessariamente o Islam. Rotular a condição da mulher no mundo muçulmano de hoje como “islâmica” está tão longe da verdade quanto rotular a posição da mulher de hoje, no ocidente, como “judaico-cristã”. Com isto em mente, muçulmanos e não muçulmanos devem começar o processo de comunicação e diálogo, a fim de remover todos os preconceitos, suspeitas e medos. Um futuro pacífico para a família humana necessita de tal diálogo.

O Islam deve ser visto como uma religião que melhorou consideravelmente a condição da mulher e lhe garantiu muitos direitos que o mundo moderno só veio a reconhecer neste século. O Islam ainda tem muito a oferecer à mulher de hoje. dignidade, respeito e proteção em todos os aspectos e estágios de sua vida, desde o nascimento até a morte, além do reconhecimento, equilíbrio e meios para o preenchimento de todas as suas necessidades espirituais, intelectuais, físicas e emocionais. Não espanta que muitos daqueles que escolhem ser muçulmanos em países como a Inglaterra sejam mulheres. Nos USA, as mulheres se convertem ao Islam, numa proporção de 4 para cada homem. O Islam tem muito a oferecer ao mundo de hoje, que está em grande necessidade de um guia e uma liderança moral. O embaixador Herman Eilts, testemunhando frente ao comitê de Negócios Estrangeiros do Congresso americano, em junho de 1985, disse que “a comunidade muçulmana de hoje está perto de um bilhão. Este é um número expressivo. Mas, para mim, é igualmente expressivo que o Islam hoje é a religião monoteísta que mais cresce no mundo. Devemos ter isto em conta. Alguma coisa está certa acerca do Islam. Ele está atraindo uma boa quantidade de pessoas”. Sim, alguma coisa está certa acerca do Islam, e está na hora de encontrá-la. Espero que este estudo seja um passo nesta direção.

Sites na Internet

– Associação dos Estudantes Islâmicos da Universidade da Califórnia

http://www.studentgroups.ucla.edu/msa/

– Fórum Islâmico de Debates em Portugal

http://www.aliasoft.com/forumislam/

– União Dos Estudantes Muçulmanos Do Brasil

http://www.geocities.com/TheTropics/8572/

– Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro

http://AvSete.fst.com.br/~sbmrjbr/

– Home-Page da Mesquita de Cuiabá/MT

http://www.geocities.com/Paris/Rue/9899/

– Cultura Islâmica

http://www.islamicart.com/

– Projeto Almanara

http://www.ummah.org.uk/hilal/index.htm

Endereços para Contato

Sociedade Beneficiente Muçulmana de São Paulo
Presidente Dr. Ismail Rajahd
Av. Do Estado, 5382 Ipiranga – 01516-000
Telefone 011.2786789 – Fax 270.9427

Mesquita de Cuiabá – MT – Rua Baltazar Navarros, 9 Morro da Luz – Bairro
Bandeirantes – Tel: (065) 321-6020
Correspondências: Caixa Postal 291 Cep: 78005-970
Cuiabá – MT email: islamico@hotmail.com

Emissoras de rádios e televisão

Não existe estações de rádio ou televisão apropriado, mas o endereço indicado em São Paulo é:

Centro Islâmico de São Paulo – Avenida do Estado, 5382

Fone: 2786789 Fax 270.2794

Email: alurubat@uol.com.br

RETIRADO DO SITE:
http://www.edeus.org/edeus/islamismo.htm

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