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O AMOR E O TEMPO

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Tudo muda o tempo,
tudo faz esquecer, tudo gasta,
tudo digere, tudo acaba, nada porém,

está tão sujeito à jurisdição
do tempo como o amor.
São as afeições como as vidas,
que não há mais certo sinal de haverem
de durar pouco que terem durado muito.
São como as linhas que partem

do centro para a circunferência,
que quanto mais continuadas

tanto menos unidas.
Por isso os antigos sabiamente
pintaram o amor menino,
porque não há amor tão robusto

que chegue a ser velho.
De todos os instrumentos,

com que o armou a natureza,
o desarma o tempo.
Afrouxa-lhe o arco com que já não atira;

embota-lhe as setas,
com que já não fere; abre-lhe os olhos,

com que vê o que não via;
e faz-lhe crescer as asas com que voa e foge.
A razão natural de toda essa diferença

é porque o tempo tira a novidade às coisas,
descobre-lhe os defeitos,
enfastia-lhe o gosto e basta que sejam usadas
para não serem as mesmas.

Gasta-se o ferro com o uso quanto mais o amor?
O mesmo ter amado é causa de não amar,
e o ter amado muito, de amar menos.

Estes são os poderes do tempo sobre o amor;
mas sobre qual amor?

Sobre o amor que é fraco e inconstante;
sobre o amor que ainda quando parece mais fino
é grosseiro e imperfeito.

O amor a quem mudou o tempo
talvez fosse doença e não amor.
O amor verdadeiro vive imortal

sobre a esfera da mudança,
e não chegam lá as jurisdições do tempo.
Nem os anos o diminuem,

nem os séculos o enfraquecem,
nem as eternidades o cansam,
porque o verdadeiro amor
é isento da jurisdição do tempo
.

Padre Vieira
Sermão do Amor Menino

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Um comentário

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    15 de julho de 2015 en 14:28

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