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Intolerancia

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Deus quer que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs. Ou: Alá quer que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs. Ou então: Javé quer que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs. Ou ainda: Olorum quer que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs.

Deus, Alá, Javé, Olorum, O Grande Espírito, A Deusa, Brahman… São muitos os nomes pelos quais os seres humanos chamam o Criador. Mas a vontade dEle é uma só: que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs.

Se é esta a vontade do Criador, quem somos nós para desafiá-la? E, no entanto, nós a desafiamos. Todas as vezes que discriminamos nosso semelhante porque ele pensa diferente, ou faz suas preces de maneira diferente, ou chama o Criador por um nome diferente, nós desafiamos a Sua vontade. Porque Ele deu a seus filhos e filhas a maior de todas as graças: a capacidade de pensar. De pensar livre. De pensar diferente.

Quem somos nós, então, para desafiar a vontade do Criador? E, no entanto, nós a desafiamos. Discriminamos, ofendemos, praticamos atos de violência contra nosso semelhante, com a desculpa de que ele é “diferente”. Foi assim no princípio dos tempos. É assim nos dias de hoje, neste milênio que mal começou.

A regra de
ouro consiste
em sermos amigos
do mundo e em
considerarmos toda a
família humana como
uma só família. Quem
faz distinção entre os
fiéis da própria religião
e os de outra, deseduca
os membros da sua
religião e abre caminho
para o abandono, a irreligião.
Mahatma Gandhi

A intolerância religiosa não está distante de nós, no tempo e no espaço. Não podemos simplesmente fechar os olhos e lavar as mãos. Nosso compromisso com a Paz na Terra começa no nosso dia-dia. Dentro de nossa própria casa. Ao nosso redor. No relacionamento com nosso próximo. Na maneira como respeitamos ou deixamos de respeitar aquele nosso semelhante que, graças à infinita sabedoria do Criador, nasceu com a capacidade de pensar livremente. E, portanto, de pensar diferente.

Quantos de nós já não sofreram algum tipo de preconceito simplesmente por professar ou não uma fé? O preconceito sempre existe, ele vive à espreita, ele se manifesta às vezes pela humilhação, às vezes pela violência. Contra qualquer um de nós. Por isso, é tão necessário seguirmos todos a regra de ouro da fraternidade, comum a quase todas as religiões: Não façamos ao outro o que não queremos que seja feito a nós mesmos.

Toda crença é
respeitável, quando
sincera e conducente à prática do bem.
Allan Kardec

Nosso compromisso com a Paz na Terra diz respeito a seguir ou não a vontade do Criador, a amar ou não amar nosso próximo. E amar nosso próximo, ainda que ele pense diferente de nós, significa antes de tudo respeitá-lo, e trabalhar para que esse nosso próximo tenha garantidos seus direitos à saúde, à educação, ao trabalho, à liberdade de ir e vir e de pensar. Enfim, nosso compromisso com a Paz na Terra significa zelar para que todos tenham direito à grande obra do Criador: a VIDA!

Constituição Brasileira

Art. 5º, inciso VI

É inviolável a liberdade
de consciência e de crença,
sendo assegurado o livre
exercício dos cultos
religiosos e garantida,
na forma da lei, a proteção
aos locais de culto
e suas liturgias.

Por que temos religião? Ora, temos religião porque somos seres humanos, e porque respiramos. Ou então: Temos religião porque o Criador determinou que tivéssemos, e é nosso dever seguir a Sua vontade. Ou ainda: Temos religião porque é ela quem nos liga de novo e sempre ao Criador, e é por isso que se chama religião. Ou porque acreditamos que a religião é o maior de todos os meios para a Paz no mundo e o contentamento para todos os que nele habitam.

Ou, simplificando: Temos religião porque assim decidimos, porque está entre os nossos direitos sagrados e humanos ter ou não ter religião, e não cabe aos homens, nem aos governos exigirem que tenhamos esta ou aquela, ou que não tenhamos nenhuma.

Somos
Humanidade.
Desde o princípio
das eras, temos
indissolúvel ligação
neste mundo. Somos, portanto, muçulmanos, xintoístas, católicos, bramanistas, budistas, protestantes, judeus, espíritas, esotéricos, agnósticos, umbandistas, ateus… Somos, por fim, Seres Humanos!
Legião da Boa Vontade

Este é um assunto meu, entre a minha consciência, entre o meu espírito e o Criador. O que cabe aos outros seres humanos, aos meus irmãos e irmãs, é respeitar a minha escolha. O que cabe aos governos é garantir a minha liberdade de escolha.

A meta última
da religião é o
amor. Todas as religiões e crenças
são conseqüentemente válidas, e sua aceitação tem de ser baseada na liberdade e numa opção consciente e espontânea. De outra forma, a
religião não teria como meta o amor.
Hinduísmo

A liberdade religiosa é tão importante para todos nós que está entre os direitos fundamentais do homem, merecendo referência específica tanto na Declaração Universal dos Direitos Humanos (artigo XVIII), assinada em 1948, quanto na Constituição Brasileira (artigo 5º, inciso VI), promulgada em 1988.

E aqueles que discriminam, perseguem e praticam violência contra seu semelhante dirão agir assim em nome do Ser em que acreditam. Quando, na verdade, o Criador quer exatamente o contrário: que seus filhos e filhas vivam em Paz, como irmãos e irmãs.

Diferentes religiões ensinam que o homem foi criado à imagem e semelhança do Criador. Algumas tradições afirmam que o Criador fez esse primeiro homem com punhados de terra de todas as cores, a fim de nos ensinar que todas as raças são, na verdade, uma só, e todos os seres humanos são iguais em valor, independentemente da cor de sua pele. “Sou negro, branco, amarelo, vermelho, mestiço…”, dizia Gandhi, o grande líder que pregava a Paz e a igualdade entre os seres humanos e se valeu da não-violência na luta vitoriosa pela independência da Índia.

É sagrada
a liberdade
de pensamento,
de consciência e de
religião. É sagrado o
direito de entrar neste
ou naquele templo,
neste ou naquele terreiro, nesta ou naquela tenda.
É o sagrado direito de
adorar e deixar adorar. É
o direito humano e divino
de pensar e deixar pensar, de dizer e de ouvir.
Comissão Ecumênica Nacional de Combate ao Racismo (Cenacora)

Um dos maiores líderes pacifistas da história da humanidade, Mahatma (“Grande Alma”) Gandhi era hinduísta, mas, como bom exemplo do diálogo entre as religiões, amava o Sermão da Montanha, no qual Jesus anunciou: bem-aventurados os misericordiosos, os obreiros da Paz, os justos, os que fazem o bem, os que sofrem perseguição.
Ele próprio, Mahatma Gandhi, por sua vez, nos ensinou: “Uma civilização é julgada pelo tratamento que dispensa às minorias”. Seremos dignos das bem-aventuranças? nossos atos para com os humildes, os que sofrem perseguição, as minorias?

Nenhum
segmento religioso
pode coagir
alguém pela força ou ameaça a aceitar ou
mudar de crença
religiosa. (…) Todos
os segmentos religiosos devem promover uma cultura de Paz e ordem, trazendo benefícios à população em geral, especialmente aos
menos favorecidos.
Igreja Pentecostal
O Brasil para Cristo

“Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião. Este direito inclui a liberdade de ter uma religião ou qualquer crença de sua escolha, assim como a liberdade de manifestar sua religião ou crença, individual ou coletivamente, tanto em público quanto em particular”, diz o primeiro artigo da Declaração da ONU(1981), para, mais adiante, advertir:
“A discriminação entre seres humanos por motivos de religião ou crença constitui uma ofensa à dignidade humana (…) e deve ser condenada como uma violação dos Direitos Humanos e das liberdades fundamentais, proclamados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.”

O Código Penal Brasileiro, por sua vez, considera crime (punível com multa e até detenção) zombar publicamente de alguém por motivo de crença religiosa, impedir ou perturbar cerimônia ou culto, e ofender publicamente imagens e outros objetos de culto religioso.

Mas a intolerância está aí, a desafiar a lei dos homens e a vontade do Criador. E as religiões afro-brasieiras têm sido as principais vítimas dessa intolerância.

Terreiros de umbanda e candomblé são os locais de culto das religiões de matriz africana. São, portanto, tão sagrados quanto qualquer outro templo, de qualquer religião. E, no entanto, esses terreiros têm sofrido constantes ataques, em diversos pontos do Brasil.

Objetos de cultos são destruídos, seguidores de Umbanda e Candomblé chamados de “adoradores do diabo” e suas celebrações e festas religiosas interrompidas, de forma desrespeitosa, por pessoas de outras religiões.

Para os seguidores da Umbanda e do Candomblé, é bom repetir, o Terreiro é um Templo Sagrado. Ninguém, de nenhuma religião, gostaria que tal violência fosse cometida contra seu próprio templo. Quem discrimina assim o seu semelhante comete, além de intolerância religiosa, outro crime e pecado chamado racismo. Racismo é crime porque assim diz a lei. E é pecado porque o Criador, conforme nos ensinam várias religiões, fez o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança; usou até areia de todas as cores, como afirmam algumas tradições, para deixar bem claro que todas as cores, que todos os seres humanos são iguais.

Quando foram arrancados de sua terra natal, jogados em navios negreiros e escravizados no Brasil, mulheres e homens africanos perderam quase tudo. Mas resistiram, mantendo sua religião, sua fé em Olorum (o Criador) e em outras divindades. Perderam quase tudo, mas não suas raízes, firmemente fincadas na ancestralidade. Além de território sagrado, os terreiros de Umbanda e Candomblé são, portanto, locais de resistência e preservação cultural, guardiães da memória de um povo.

Mas, para aqueles que discriminam e desrespeitam uma religiosidade simplesmente por achá-la diferente da sua, parece difícil entender essa verdade.

Cada ser
humano possui o direito de escolher
a sua própria
maneira de servir o sagrado e deve fazê-lo sem perseguições e/ou discriminações, com liberdade.
Encantaria Cigana

A propósito, conta uma tradição oral de matriz africana que no principio havia uma única verdade no mundo. Entre o Orun (mundo invisível, espiritual) e o Aiyê (mundo natural) existia um grande espelho. Assim tudo que estava no Orun se materializava e se mostrava no Aiyê. Ou seja, tudo que estava no mundo espiritual se refletia exatamente no mundo material. Ninguém tinha a menor dúvida em considerar todos os acontecimentos como verdades. E todo cuidado era pouco para não se quebrar o espelho da Verdade, que ficava bem perto do Orun e bem perto do Aiyê.

Neste tempo, vivia no Aiyê uma jovem chamava Mahura, que trabalhava muito, ajudando sua mãe. Ela passava dias inteiros a pilar inhame. Um dia, inadvertidamente, perdendo o controle do movimento ritmado que repetia sem parar, a mão do pilão tocou forte no espelho, que se espatifou pelo mundo. Mahura correu desesperada para se desculpar com Olorum (o Deus Supremo).

Qual não foi a surpresa da jovem quando encontrou Olorum calmamente deitado à sombra de um iroko (planta sagrada, guardiã dos terreiros). Olorum ouviu as desculpas de Mahura com toda a atenção, e declarou que, devido à quebra do espelho, a partir daquele dia não existiria mais uma verdade única. E concluiu Olorum: “De hoje em diante, quem encontrar um pedaço de espelho em qualquer parte do mundo já pode saber que está encontrando apenas uma parte da verdade, porque o espelho espelha sempre a imagem do lugar onde ele se encontra”.

Portanto, para seguirmos a vontade do Criador, é preciso, antes de tudo, aceitar que somos todos iguais, apesar de nossas diferenças. E que a Verdade não pertence a ninguém. Há um pedacinho dela em cada lugar, em cada crença, dentro de cada um de nós.

Se você critica a fé dos demais,
sua devoção é
falsa. Se você fosse sincero, apreciaria
a sinceridade dos outros. Você vê erros nos outros porque você mesmo os tem, não os outros.
Sathya Sai Baba

Não pode
haver dúvida
alguma de que
os povos do mundo, de qualquer raça
ou religião que sejam, derivam sua inspiração de uma só Fonte Celestial
e são súditos de um só Deus. A diferença entre
os preceitos sob os quais vivem deve ser atribuída aos vários requisitos
e exigências da época
em que foram
revelados.
Bahá´u´lláh

Prevenir
a intolerância
é assumir que
nenhuma verdade é única. É reconhecer que o outro
tem livre arbítrio (…)
Esse reconhecimento pressupõe garantir-lhe o
direito de pensar, de crer;
de amar, de doar, de rezar, de ser gente religiosa.
Gente que exercita a
missão sagrada de
reconhecer no outro a imagem e semelhança
de Deus, Olorum ou
Javé.”
Religiões Afro-
Brasileiras

Trechos retirados da Cartilha: Diversidade Religiosa e Direitos Humanos

“Ninguém nasce odiando
outra pessoa pela cor de sua
pele, por sua origem
ou ainda por sua religião.
Para odiar, as pessoas
precisam aprender;
e, se podem aprender
a odiar, podem ser
ensinadas a amar.”
(Nelson Mandela)

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