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Canção a Umbanda – Prosa Poética

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01

Umbanda, querida Umbanda…

Nesse momento superior, onde a alma busca o mais alto, o que posso eu, pequenino amante de vossas belezas, rogar-te?

Muitos, sem olhos para ver, buscam-te no fantasioso, no miraculoso. Mas eu, guiado por mãos invisíveis, aprendi a contemplá-la em tudo…

Mesmo na dor, ou na angústia, quando as pedras do caminho tornam-se pesadas, sei que vós ora por mim, sustentando-me em minhas provações.

Mesmo quando a solidão terrível corta a alma e a falta de amor parece secar as flores do caminho, lá estão suas belas mãos a ampararme.

Que mistério é esse, minha querida, que flui através de seus lábios?

Esse canto misericordioso, que encanta o espírito e faz a alma dançar embriagada com o divino;

Esse brado de força, que clareia minha mente e rompe as barreiras da ilusão;

Essa cantiga simples, que arrepia meu corpo e dispara meu coração…

Como posso eu, mesmo pequenino, calar-me perante tanta riqueza?

A ti, querida Umbanda, farei infinitas canções…

02

Já era tarde da noite quando o meu senhor apareceu. Seus passos eram silenciosos, mas tocavam meu peito qual tambor enfurecido. Com meus olhos busquei encontrar-te, mas foi em vão. Humilde que era, cobria-se com palha da costa.

De olhos fechados, curvei o ego e a Ele entreguei meu ori. Sua mão abençoou. Desse momento o que mais posso dizer?

O Senhor das Almas é silencioso como o vento, mas seus passos estrondosos fazem a terra se abrir.

03

Ataram aos meus pés o grilhão do amor. E eu fiquei encantado. Pobre coração que se contenta com migalhas.

Como pode o amor ser como o ferro, duro e inflexível? Como uma prisão, prender entre suas barras indestrutíveis a liberdade do amado?

Maior é seu amor menina. Mesmo quando não lhe mando presentes, ou esqueço de ti em minhas orações, lá está você esperando por mim.

Seu amor querida Cinda, qual rio que corre, a todos toca. Livre como a queda d’água, desemboca no mar…

04

Trouxeram-te tantas coisas papai. Velas acesas, potes de barros, fitas e bebidas. Mas entre seu coração e o deles ainda havia um hiato. Por quê?

07

Traz em tua mão um spelho polido. Os tolos, ao olharem-no de frente, apenas podem ver tolices.

Como por milagre, mesmo as trevas podem ser refletidas em seu límpido espelho, fazendo todos se assombrarem.

Gritos de pavor, calúnias e injúrias, o quente sangue engasga a garganta. Mas você meu amigo, apenas sorri.

Logo tu, que tinha todos os motivos para fechar o semblante. Logo tu, que com seu misterioso espelho escancara os ocultos desfiladeiros da alma.

Mas paciente és. Sua gargalhada corta o ego como uma navalha afiada. O vermelho tinge o peito. A ironia é veneno e perfume em teus grandes lábios.

Os tolos podem apenas ver tolices em ti. Os maus, o ódio. Os iludidos, o véu.

Mas e os Anjos, como eles o vêem, Exu?

09

No silêncio do templo, preto-velho apaziguou sua sede. Entre o benzer e o soprar, a secura da alma se foi e novas lágrimas rolaram. Mais tarde, quando os tambores tocavam a despedida das almas, você me procurou. Elogiava-me.

Que fiz eu para merecer tão belas palavras? Envergonhado, baixei a cabeça educadamente.

Mas, a simples lembrança de sua sede aplacada, irá viver na minha alma. Essa oportunidade se aconchegará no peito, junto do sentimento de gratidão. És meu professor de caminhada. Todos aqueles que se deixam alcançar pela mão caridosa, são mestres da cmpaixão.

Fernando Sepe

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