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Bori na Umbanda?

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Amados irmãos,

difícil falar de algo que não conhecemos, que nem mesmo tivemos qualquer contato, pois o Bori não é praticado dentro da Umbanda sim no Candomblé e outras, pelo menos na Umbanda que conheço, percebo muitos irmãos de Umbanda perguntando sobre Bori e posso até tentar repassar o que penso conhecer do mesmo, mas já de imediato adianto o Bori não faz parte da Umbanda que conheço, não quer dizer que nas Casas onde acontecem o Bori não seja de Umbanda, e quando falamos algo sobre Umbanda temos que guardar respeito a diversidade que há dentro de nossa religião, isso eu costumo falar que é ter amor pela Umbanda e quando alguém retrata apenas o seu culto é ter paixão pela Umbanda, respeitando todas as diversidades existentes em nosso meio tento repassar o que penso conhecer ou até mesmo o que desconheço.

O Bori em algumas Casas de Umbanda Traçada, Omolokô, Candomblé, “Umbandomblé” e outras é aceito, não quer dizer com isso que sua Casa que você filho tem que ser Traçada, Omoloko, Candomblé, Umbandomblé e outras, entenda que seu Pai ou Mãe no Santo aprendeu que determinado ritual se chama Bori e o que ele pensa ser Bori não quer dizer que seja, ou ainda que este veio de algumas das “umbandas” que mencionei, ou do Candomblé e trouxe o ritual para dentro do Terreiro que você faz parte, em minha humilde opinião isso não é muito correto, pois o Bori é de Candomblé e demais que informei acima, querendo ou não são mistas com o Candomblé.

Abaixo eu deixo a você algo que retirei da Revista Orixás sobre o BORI, assim todos entenderam melhor sobre o que tento repassar a vocês:


Da fusão da palavra bó, que em ioruba significa oferenda, com ori, que quer dizer cabeça, surge o termo bori, que literalmente traduzido significa “ Oferenda à Cabeça”. Do ponto de vista da interpretação do ritual, pode – se afirmar que o bori é uma iniciação à religião, na realidade, a grande iniciação, sem a qual nenhum noviço pode passar pelos rituais de raspagem, ou seja, pela iniciação ao sacerdócio. Sendo assim, quem deu bori é ( Iésè órìsà ).

Cada pessoa, antes de nascer escolhe o seu ori, o seu princípio individual, a sua cabeça. Ele revela que cada ser humano é único, tendo escolhido suas próprias potencialidades. Odu é o caminho pelo qual se chega à plena realização de orí, portanto não se pode cobiçar as conquistas do outro. Cada um, como ensina Orunmilá – Ifá, deve ser grande em seu próprio caminho, pois, embora se escolha o ori antes de nascer na Terra, os caminhos vão sendo traçados ao longo da vida.

Exu, por exemplo, nos mostra a encruzilhada, ou seja, revela que temos vários caminhos a escolher. Ponderar e escolher a trajetória mais adequada é tarefa que cabe a cada ori, por isso o equilíbrio e a clareza são fundamentais na hora da decisão e é por meio do bori que tudo é adquirido.

Os mais antigos souberam que Ajalá é o orixá funfun responsável pela criação de ori. Dessa forma, ensinaram – nos que Oxalá sempre deve ser evocado na cerimônia de bori. Yemanja é a mãe da individualidade e por essa razão está diretamente relacionada a orí, sendo imprescindível a sua participação no ritual.

A própria cabeça é síntese de caminhos entrecruzados. A individualidade e a iniciação (que são únicas e acabem, muitas vezes, se configurando como sinônimos) começam no ori, que ao mesmo tempo apota para as quatro direções.

OJUORI – A TESTA
ICOCO ORI – A NUCA
OPA OTUM – O LADO DIREITO
OPA OSSI – O LADO ESQUERDO

Da mesma forma, a Terra também é dividida em quatro pontos: norte, sul, leste e oeste; o centro é a referencia, logo toda pessoa deve se colocar como o centro do mundo, tendo à sua volta os pontos cardeais: os caminhos a escolher e seguir. A cabeça é uma síntese do mundo, com todas as possibilidades e contradições.

Na África, ori é considerado um deus, alias, o primeiro que deve ser cultuado, mas é também, junto com o sopro da vida (emi) e o organismo (ese), um conceito fundamental para compreender os ritos relacionados a vida, como axexê (asesé). Nota – se a importância desses elementos, sobretudo o ori, pelos oriquis com que são evocados:

O bori prepara a cabeça para que o orixá possa manifestar – se plenamente. Há um provérbio nagô que diz: Orí buru kó si orisá. É o bori que torna a cabeça ruim não tem orixá. É o bori que torna a cabeça boa. Entre as oferendas que são feitas ao ori algumas merecem menção especial. É o caso da galinha – d’angola, chamada nos candomblés de etum ou konkém, que é o maior símbolo de individuação e representa a própria iniciação. A etun é adoxu (adosú), ou seja, é feita nos mistérios do orixá. Ela já nasce com exu, por isso relaciona – se com começo e fim, com a vida e a morte, por isso está no bori e no axexê.

O peixe representa as potencialidades, pois a imensidão do oceano é a sua casa e a liberdade o seu próprio caminho. As comidas brancas, principalmente os grãos, evocam fertilidade e fartura. Flores, que aguardam a germinação, e frutas, os produtos da flor germinação, simbolizam fartura e riqueza.

O pombo branco é o maior símbolo do poder criador, portanto não pode faltar. A noz cola, isto é, o obi é sempre o primeiro alimento oferecido a ori; é a boa semente que se planta e espera – se que dê bons frutos.

Todos os elementos que constituem a oferenda à cabeça exprimem desejos comuns a todas as pessoas: paz, tranqüilidade, saúde, prosperidade, riqueza, boa sorte, amor, longevidade, mas cabe ao ori de cada um eleger prioridades e, uma vez cultuado como se deve, proporciona-las aos seus filhos.

NUNCA SE ESQUEÇA: ORIXÁ COMEÇA COM ORI.

Amados Irmãos deixo uma frase para fazerem orientá-los quanto a diversidade:

“Enquanto a diversidade nos separa a Caridade, a Fé, a humildade e o amor ao próximo nos une!”

Alex de Oxóssi

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